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André Veríssimo - Diretor averissimo@negocios.pt 23 de Setembro de 2016 às 00:01

Agora venha o Novo Banco

O fim do limite aos direitos de voto no BPI é como achar a ponta que desembaraça o novelo. Promete resolver vários problemas de uma vez só. O do próprio banco, o do Novo Banco e o de Isabel dos Santos.

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Depois de quase dois anos de impasse, a paz accionista regressa ao banco, que deixa enfim de estar manietado. Pode agora centrar-se no desenvolvimento do negócio. E fazer-se a outro negócio: a compra do Novo Banco (NB). Como assume Artur Santos Silva. "Estamos a estudar seriamente a opção. Com o aspecto que ficou hoje resolvido [a desblindagem de estatutos] o banco já não está bloqueado".


De certa forma, o BPI precisa tanto do NB, como este do interesse do BPI . O BPI é de novo um banco lucrativo, mas falta-lhe algo que o banco que sobrou do BES lhe pode dar. E não é só escala.

No banco liderado por Fernando Ulrich, os empréstimos para a habitação representam quase metade da carteira de crédito. Financiamentos com prazos mais longos, "spreads" muito baixos, que não geram rentabilidade ou geram uma muito baixa. Já a banca de empresas, onde os créditos têm prazos mais curtos e podem ser renegociados com "spreads" mais elevados, pesa apenas 18%. Ou 27% se juntarmos o "project finance".

O perfil do NB é exactamente o oposto. Aqui o crédito às empresas representa 67% do total, enquanto a habitação se fica pelos 10%. Embora com mais risco de incumprimento, a carteira do NB promete retornos mais elevados. Algo crucial na luta pela sobrevivência que o sector trava contra a política de taxas de juro negativas. Digamos que os bancos encaixam.

Há também ganhos de causa para o NB. Passaria a ter um accionista a quem interessa ganhar escala, que entra numa perspectiva de longo prazo - ao contrários dos "private equity" que também estão na corrida - , com arcaboiço para futuras necessidades de capital e que é da Zona Euro, o que é do agrado do BCE. O negócio geraria ganhos em sinergias (que têm sempre o lado duro da saída de pessoal) e apraz ao Governo. Os astros alinham-se.

A pretensão tem ventos contrários. Na corrida está também o BCP, prestes a ganhar um accionista com força, mas que tem ainda CoCos por pagar. O novo presidente executivo do NB já deu a entender, numa mensagem aos trabalhadores, a sua preferência por uma dispersão do capital junto de investidores qualificados, mas não é dele a decisão final. O desejo de ver o Novo Banco comprado por uma frente accionista nacional ainda paira, mas não passa de uma quimera, face à notória falta de capital português, menos ainda com vontade para ser protagonista neste filme.

O BPI assumiu-se como parte da solução, o que é de saudar. Até para Isabel dos Santos, que encaixa vários milhões com a venda das acções na OPA e pouco paga para ficar a mandar no BFA. Todos ganham, como é de bom tom numa negociação séria. Que só pecou por tardia.
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