Celso  Filipe
Celso Filipe 16 de abril de 2018 às 23:00

As impressões e as verdades

Os motores já estão a aquecer para as legislativas de 2019 e durante este processo poderão até acontecer partidas em falso que penalizem a sofreguidão dos contendores. Assim, embora sendo prematuro tirar conclusões definitivas, já é possível constatar tendências que devem provocar inquietação, tanto em São Bento como no Largo do Rato.

O barómetro mensal de Abril da Aximage para o Negócios e o_Correio da Manhã, conhecido esta segunda-feira, confirma uma erosão progressiva do Governo, de António Costa e do PS. É ainda ténue, mas repete o padrão de Fevereiro e Março, pelo que não pode ser vista como um fenómeno isolado.

As finanças públicas, que são o cartão-de-visita que o Governo exibe junto dos investidores e das entidades internacionais, sobretudo perante a Comissão Europeia, valem pouco para consumo interno. Por outro lado, o Governo não se pode aventurar em promessas ambiciosas que, embora seduzam o eleitorado, podem minar a sua credibilidade externa e transformarem-se em muros impossíveis de escalar. Esta vulnerabilidade, claro está, é pasto para fazer oposição.

É por isso que o CDS/PP de Assunção Cristas, à boleia de temas sociais como a Saúde, continua a subir nas sondagens, repetindo, aliás, uma estratégia que Paulo Portas já tinha ensaiado com os pensionistas e os reformados.

Por outro lado, a contestação também promete intensificar­-se, um quadro que promete ajudar politicamente o PCP e o Bloco de Esquerda.

Já o PSD, com nova liderança e materializando um entendimento com o Governo em matéria de descentralização, cumpre dois objectivos: 1) satisfaz os desejos do Presidente da República, que defendeu a urgência de acordos de regime antes das eleições; 2) posiciona o PSD como parte da solução, o que reforça a sua imagem institucional, não o inibindo de capitalizar o descontentamento social.

Ainda é cedo para o Governo e o PS fazerem soar as buzinas de alarme. Mas é tempo para ambos começarem a aplicar uma estratégia que mitigue os danos e seja capaz de inverter o ciclo que começa a ser consistente nos últimos barómetros da Aximage. Porque, em política, aquilo que começa por ser apenas impressões transforma-se em narrativas duradouras que ganham contornos de verdade absoluta.

António Costa, embora ainda tenha uma confortável vantagem face a Rui Rio no indicador de confiança para primeiro-ministro do barómetro da Aximage, tem rapidamente de atalhar caminho se quiser continuar como primeiro-ministro na próxima legislatura. 
pub