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João Cândido da Silva joaosilva@negocios.pt 23 de Dezembro de 2010 às 11:42

Carta ao Pai Natal

Não sei se é credor de Portugal mas, mesmo que não tenha esse estatuto preocupante

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Caro Pai Natal

Não sei se é credor de Portugal mas, mesmo que não tenha esse estatuto preocupante, deve ter conhecimento de que a vida, por aqui, está difícil. Não se preocupe demasiado porque não há nenhum problema novo. Apenas os mesmos de sempre, o que inclui as finanças públicas num caos e a economia desfalecida.

A tarefa que o aguarda nos próximos dias é dura e é melhor irmos já ao assunto desta missiva. Destina-se, somente, a transmitir-lhe algumas sugestões de presentes de Natal que, mesmo que ache imerecidos, ficaria mal recusar na quadra de fraternidade que se vive.

Dito isto, seguem-se os pedidos e os respectivos beneficiários.

José Sócrates - Para manter o optimismo na estratosfera, bem longe da realidade, a trilogia "Toy Story" calhava bem. Talvez permitisse a troca do "slogan" "Sim, nós podemos", um pouco puído nos tempos que correm, pelo de Buzz Lightyear: "até ao infinito e mais além!" O chapéu do Xerife Woody também daria jeito para recolher os donativos chineses.

Luís Amado - Uma foto de Julian Assange, autografada e colada num alvo, acompanhada do respectivo jogo de setas. Um Tio Sam de peluche, fofinho, também seria bem-vindo para manter vivo o carinho que Washington entende que deve ser dedicado a este ministro.

Fernando Teixeira dos Santos - Dadas as óbvias dificuldades que demonstra para identificar um céu nublado e fazer previsões, o ideal seria uma aplicação para o iPhone capaz de antecipar o mau tempo. E, já agora, quatro pneus novos para enfrentar as derrapagens orçamentais.

Augusto Santos Silva - Uma pasta governamental mais "política" e trauliteira, bem como um malho porque, desde que foi para a Defesa, a direita tem andado com as costas muito folgadas.

Rui Pereira - Faz colecção de blindados e certamente ficaria feliz se descobrisse no sapatinho um jogo de cinco exemplares novos destinados a garantir a segurança na inauguração da Expo 98.

Alberto Martins - Primeiro na Reforma Administrativa e, agora, na Justiça, este é um ministro que funciona a três velocidades: devagar, devagarinho e parado. Com o pé sempre a fundo, o travão já deve estar gasto. Sugerem-se, por isso, calços novinhos, a estrear.

José Vieira da Silva - Como já tem um Ministério, o Pai Natal podia oferecer-lhe uma economia, que é a metade que lhe falta para completar a colecção.

António Mendonça - Pode oferecer-lhe o cargo de ministro das Obras Públicas. Já assinou um manifesto sobre o tema e talvez fosse capaz de fazer um bom trabalho. O actual titular até agradeceria ser substituído.

Isabel Alçada - Um conjunto completo de câmara de vídeo e "software" de edição, preparado para fazer o "upload" de imagens para o YouTube. E um livro que, em dez lições certificadas pelo PISA, mostre como se pode falar às crianças sem tentar parecer uma.

Ana Jorge - Um surto de gripe das aves, desde que seja inócuo e que ninguém fique doente. Quando a tarefa é controlar as doenças disseminadas pelos pássaros, a ministra tem provas dadas. O pior é quando as despesas da Saúde ganham asas.

Helena André - Tem que ser um presente solidário, daqueles que beneficiam terceiros. Talvez um "solário mínimo nacional". O povo bronzeado jamais será enganado.

Por último, gostava de lhe agradecer a atenção que puder dispensar a este assunto e recordar-lhe que, apesar de o governo português se ter mudado, recentemente, para Berlim, os presentes devem ser entregues, na mesma, em Lisboa. Assim é mais simplex.


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