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Celso Filipe - Diretor-adjunto cfilipe@negocios.pt 17 de Novembro de 2016 às 00:01

Costa fez a sua sorte

A novela Caixa Geral de Depósitos é a única situação que ensombra o epílogo de uma semana triunfal de António Costa.

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O primeiro-ministro pode capitalizar politicamente três ocorrências: o crescimento do PIB, o facto de Bruxelas ter aceitado, com as habituais ênfases burocráticas, o Orçamento do Estado para 2017, assim como a decisão da Comissão Europeia de colocar de lado a suspensão de fundos comunitários a Portugal por causa do Procedimento de Défices Excessivos.

É claro que este concentrado de boas notícias enche o peito de António Costa e do seu Governo e dá-lhe uma legitimidade acrescida para negociar na especialidade o Orçamento para 2017, na mesma proporção em que esvazia o manancial argumentativo da oposição.

É verdade, como disse Passos Coelho, que o PIB cresceu, não em função do aumento da procura interna, como previa o programa do Governo, mas por via das exportações e do turismo. Mas cresceu e isso reduz-lhe o espaço de crítica ao Governo.

Além disso, como sublinhou André Veríssimo no editorial de ontem, quando entrou em funções, o Governo prometia um crescimento de 2,2%, que depois reduziu para 1,8% e finalmente baixou para 1,2%. Ou seja, se o país chegar ao final de 2016 com um crescimento de 1,2%, este Executivo mais não faz do que cumprir os mínimos.

A questão é que, em política, o que se passou há seis meses já é história e para a opinião pública (ou potenciais eleitores) trata-se de uma eternidade. Tal como no futebol, não interessa a derrota da terceira jornada, se a equipa chegar ao fim como campeã. A memória só exalta os êxitos e tem propensão a expurgar os fracassos.

Os esperançosos indicadores económicos, a anuência de Bruxelas em relação ao Orçamento e a estabilidade dada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confluem na mesma direcção, a de que a longevidade deste Governo será superior à prevista por aqueles que vaticinavam um cataclismo à beira de acontecer. Os dados macroeconómicos agora conhecidos e a posição de Bruxelas são, por outro lado, trunfos que António Costa pode esgrimir para mudar a percepção de investidores (nacionais e estrangeiros), os quais ainda convivem mal com a geringonça. É este o passo que lhe falta para uma governação com "confiança e sem sobressaltos", o mesmo que prometeu aos portugueses para 2017. A sorte de António Costa não é fruto do acaso. Tem sido construída pelo próprio e permitiu-lhe chegar até aqui. 
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