Celso  Filipe
Celso Filipe 08 de fevereiro de 2018 às 23:00

Cripto quê?

As criptomoedas têm um grupo de indefectíveis e uma legião de críticos. Sendo virtuais, este tipo de moedas pode ser transferido de pessoa para pessoa sem passar por bancos ou intermediários.

Além disso, como não estão reguladas, isso significa que os seus utilizadores pagam taxas menores nas transacções, com a vantagem de as mesmas poderem ser realizadas em qualquer país.

Por estes dias têm-se avolumado os avisos sobre os riscos das criptomoedas. Do Banco Central Europeu ao Goldman Sachs, passando pelo Banco de Pagamentos Internacionais e Nouriel Roubini, vieram alertas materializados  em definições fortes. As criptomoedas são uma "bolha", um "esquema Ponzi", "activos muito arriscados", um "desastre ambiental" e qualquer valor que se lhe atribua, acima de zero, é "caro".

Em paralelo, bancos com o JP Morgan Chase, o Lloyds Banking e o Citigroup estão a proibir os seus clientes de usarem o cartão de crédito para adquirirem moedas digitais. Um evidente sinal de desconfiança, visto recearem que a queda do valor destas moedas impossibilite os clientes de saldarem as suas dívidas.

Naturalmente, cada pessoa é livre de investir o seu dinheiro onde quiser e isso inclui aplicá-lo em criptomoedas. Se esse direito não lhe pode ser sonegado, não é menos verdade que é preciso ter as máximas cautelas em relação a estas moedas virtuais, devido à sua volatilidade. Por exemplo, o preço do petróleo sobe ou desce em virtude de factores conhecidos. Menos produção e maior procura são ingredientes que fazem aumentar a cotação, o inverso promove a sua queda. No caso das criptomoedas a volatilidade é muito maior, na medida em que estão longe de ser claros ou previsíveis os factores que impactam no seu preço.  E outro factor adicional de ameaça é o de que se trata de um activo que não é regulado por qualquer banco central, sendo por isso fácil perder-lhe o rasto.

Os alertas das organizações mencionadas e os factos expostos convergem para uma única conclusão: a aposta em criptomoedas, particularmente por parte dos pequenos investidores (os mais vulneráveis), deve ser evitada a todo o custo. A prudência terá de sobrepor-se à ganância. As intervenções assertivas do Banco Central Europeu e de outras autoridades reforçam a ideia de que as criptomoedas são uma história que irá ter um fim triste. Cabe aos investidores decidirem se querem participar nela, na certeza de que mais tarde não poderão lamentar-se da falta de aviso.
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