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João Cândido da Silva joaosilva@negocios.pt 23 de Dezembro de 2010 às 09:00

Há mundo além dos Pirinéus

Se a observação se resumir ao mercado de acções português, 2010 foi um ano de má memória.

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Caso a análise seja alargada ao espaço ibérico, o ano também não foi melhor.

Até ao final da semana passada, a bolsa de Lisboa tinha caído mais de 7% desde o início de Janeiro e Madrid tinha descido mais de 16%. A estagnação da economia, a contracção do consumo privado e a crise das dívidas soberanas provocaram os seus efeitos sobre as acções. A avaliar pela média ponderada que é expressa pelos principais índices, quem comprou a preços de Janeiro, está agora potencialmente mais pobre.

Onde vão estar os principais riscos no ano que vem? Como vão comportar-se os mercados de acções? Estas são duas das perguntas a que o "Investidor Privado" dá resposta na edição de hoje. E a que se podem juntar quatro pontos que também teriam dado jeito no ano que agora se aproxima do fim.

O mundo não termina nos Pirinéus. Se os mercados de Lisboa e de Madrid estiveram deprimidos este ano, quem soube procurar oportunidades para além das fronteiras ibéricas fez bem. Na Alemanha, potente motor da Zona Euro e da União Europeia, o principal índice de Frankfurt ganhou quase 18%, sustentado no crescimento da economia. Pode ser um problema para os países periféricos mas, para os investidores, uma Europa a duas velocidades representa mais oportunidades do que motivos para frustração.

O mundo também não termina na Zona Euro. A facilidade com que é possível, hoje em dia, investir em mercados longínquos é uma faca de dois gumes. Potencia a volatilidade dos mercados mas possibilita uma diversificação larga dos investimentos. O risco cambial deve ser tido em conta mas há formas de o contornar com o objectivo de desfrutar das regiões do globo onde o crescimento vai continuar a ser mais acelerado. Aplicar uma fatia da carteira em empresas de mercados emergentes ou em empresas expostas a estas economias é apostar num suplemento vitamínico para a rendibilidade. E aproveitar a recuperação dos Estados Unidos também contribui.

Cuidado com as obrigações. As crises da dívida soberana não têm sido um mau negócio para quem investe. Um bom exemplo está nas emissões de obrigações do Estado português. Quem apostou na subscrição de certificados do Tesouro, meio indirecto de aceder às rendibilidades proporcionadas pela dívida pública, pode contar com remunerações reais competitivas. Cuidado com a outra face da moeda. As taxas de juro estão altas porque o risco está mais elevado e uma eventual reestruturação de dívida não é uma mera hipótese académica. Em Portugal e noutros países da Zona Euro a braços com dificuldades financeiras.

Faça um plano. Se já investe ou se vai começar a investir, defina os objectivos para que está a poupar, ajuste o risco da carteira àquela meta e ao respectivo prazo. Aplique de forma regular, todos os meses, uma parcela do seu rendimento. Como há que contar com fases de queda nas cotações durante o período do investimento, esta é uma estratégia que permite amortecer os choques e proteger as rendibilidades médias. É bem melhor, em geral, do que investir num dia e negligenciar, depois, os reforços da carteira.


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