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João Cândido da Silva joaosilva@negocios.pt 30 de Setembro de 2011 às 08:50

O barato sai barato

O comportamento das maiores bolsas mundiais desafia a paciência dos investidores menos impressionáveis.

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O comportamento das maiores bolsas mundiais desafia a paciência dos investidores menos impressionáveis. Mais uma semana passou e a desvalorização das cotações prosseguiu, com quedas bruscas a sublinharem em tons dramáticos a desvalorização das empresas cotadas.

Desde o início de 2011, muitos índices de mercado já acumularam descidas superiores a 20%. A média registada na Europa anda pelos 22% e Lisboa apresenta um desempenho um pouco mais negativo. É certo que houve uma recuperação a partir de Março de 2009, depois de a poeira da falência do Lehman Brothers ter assentado. Mas a volatilidade e o clima de incerteza e desconfiança nunca chegaram a desaparecer dos mercados desde que a crise dos créditos hipotecários de alto risco começou a envenenar o mercado.

Para haver um regresso da confiança e se abrirem as portas a uma subida consistente e sustentada, será necessário o regresso do crescimento às economias desenvolvidas. Nos Estados Unidos e na Zona Euro, o ritmo é pálido e as previsões mais recentes do FMI não escondem que a recuperação está longe de ser uma probabilidade forte e credível nos tempos mais próximos.

Em solo norte-americano, a autoridade monetária mantém uma actuação virada para os estímulos à actividade. Na Zona Euro, o Banco Central Europeu moderou a sua ortodoxia. Poderá baixar a taxa de juro para tentar dar algum fôlego a uma região que se tornou no principal foco de ameaças à saúde global e permanece no mercado secundário de dívida e a fazer o papel que, por esta altura, já devia estar a ser realizado pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

Este é um dos retratos de uma Zona Euro perigosamente lenta a lidar com a actual crise da dívida soberana. A flexibilização das regras de funcionamento do FEEF, aprovada há três meses, continua por concretizar. O segundo pacote de ajuda à Grécia não ata, nem desata. Em parte, por uma razão forte. Sucessivos pacotes de medidas restritivas aplicados, ou simplesmente prometidos, não conseguiram fazer com que Atenas cumprisse as metas com que se comprometeu para continuar a beneficiar de apoio financeiro.

A dimensão da recessão na Grécia e o volume dos encargos financeiros sob o qual o país está esmagado tornam quase impossível evitar a possibilidade de uma reestruturação da sua dívida e acendem a probabilidade de saída do país do euro. O efeito de contágio armaria uma tempestade arrasadora. E esta perspectiva explica por que motivo a desconfiança mina as cotações em bolsa e amplia a espiral de cepticismo.

Ironicamente, este é um daqueles momentos em que vale a pena analisar se não estará na altura de entrar. Em época de saldos, investir sai mais barato. E o mundo não se resume à Zona Euro.


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