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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 28 de Abril de 2008 às 13:59

O PSD, os cacos e o problema que não é só deles

Alberto João Jardim não tem boa imprensa no continente e, apesar do sucesso económico da Madeira, o seu modelo peculiar de governação não colhe especial simpatia entre as elites. Se colhe entre o povo português a mesma aprovação que lhe dão os madeirenses

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Sobretudo quando assume que o partido está em cacos e fala das pulsões suicidárias que imperam entre as diversas tendências. Problemas que se propõe resolver com a sua magna candidatura, alternativa a Manuela Ferreira Leite, a quem chama candidata do regime.

Num primeiro momento, o avanço de Pedro Santana Lopes parecia adequado para desempenhar essa função. A bipolarização do PSD far-se-ía entre Ferreira Leite, que reúne todos os sectores que se revêm na sua imagem de credibilidade e na necessidade de apagar o rumo errático do partido nos últimos anos, e Santana, que reagruparia os sectores mais populistas e o aparelho do partido mais sensível à necessidade de obter resultados no curto prazo (acrescente-se a qualquer preço). Pedro Passos Coelho parecia condenado a uma candidatura de mera afirmação, que poderia mesmo pôr em risco as suas ambições para o futuro.

Nem sempre o que parece é. Santana pode estar como o general que, de repente, descobriu que as tropas o deixaram sozinho. As sobras do menezismo, o que quer que isso seja, tiraram-lhe o tapete que nunca lhe chegaram a estender e migraram para o ex-presidente da JSD. Manuela Ferreira Leite é um valor seguro, que pode não trazer uma mensagem especialmente mobilizadora mas não engana. Santana também, mas com cotação negativa: ainda está demasiado próximo o espectáculo de descoordenação e ausência de liderança política que foi o seu Governo. Pedro Passos Coelho, em boa verdade, é o único melão que ainda não foi aberto. Capitaliza o facto de ser mais jovem, de ter um discurso bem estruturado e a carteira de apoios que fez enquanto foi presidente da Jota – numa época em que Manuela Ferreira Leite era o bombo da festa da contestação estudantil – mas ainda não foi testado.

É vantajoso que o PSD se reencontre. E que a candidatura de Ferreira Leite tenha alternativa. Com Jardim ou sem Jardim.

Face a um Governo e um primeiro-ministro do PS que assumiu uma parte das suas bandeiras, é preciso saber como se posiciona o PSD. Se defende mais Estado ou menos Estado. O que propõe face à reforma da segurança social e das leis do trabalho levada a cabo pelo Governo. Que política defende para a Saúde e como pretende conciliar a prestação de serviços aos cidadãos com a necessidade de manter as contas sob controle. Na educação, que alternativas tem às políticas de Maria de Lurdes Rodrigues. E qual o seu compromisso para fazer Portugal crescer. Precisamente o que Luís Filipe Menezes não soube ou não pôde fazer.

O PSD está a passar pelo mesmo tipo de problemas por que passou o PS entre 85 e 95. Perdeu o seu líder histórico, saiu do poder e enfrentou um adversário poderoso. A orfandade de Cavaco não foi preenchida por Durão Barroso e o PSD afunda-se nas suas próprias contradições. Podia ser um problema deles, dos seus militantes. Mas é um problema do país, que necessita de uma oposição eficaz e da existência de uma alternativa.

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