Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião

Papões e gurus

Caso se fizesse um inquérito sobre a percepção que as pessoas, em geral, têm sobre o que foi a vida dos mercados financeiros nos últimos 12 meses...

  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...
Caso se fizesse um inquérito sobre a percepção que as pessoas, em geral, têm sobre o que foi a vida dos mercados financeiros nos últimos 12 meses, a probabilidade mais elevada é a de que a esmagadora maioria respondesse que o comportamento das cotações foi muito negativo e que o tempo foi de perdas e de menos-valias.

É verdade que as bolsas têm navegado num mar de volatilidade, impróprio para quem não saiba o que anda a fazer e, até, para quem tem experiência e domínio dos terrenos que pisa. Mas, quanto a ter sido um período dominado pela deterioração das carteiras de investimento, o cenário já não é tão linear.

Há, seguramente, investidores amargurados com a desvalorização dos títulos em que aplicaram o seu dinheiro e ansiosos por quaisquer factos relevantes que melhorem as perspectivas. Para estes, a nota positiva dada a grandes instituições financeiras nos testes de "stress", cujos resultados acabam de ser divulgados, pode ser um primeiro pilar para a recuperação da confiança perdida. Mas há, também, quem tenha seguido estratégias capazes de alcançarem sucesso em águas agitadas, onde muitos outros claudicaram ou, simplesmente, se abstiveram de ir a jogo, escolhendo permanecer em terra firme.

Entre os que estarão mais satisfeitos encontram-se aqueles que recolheram os ensinamentos de alguns dos grandes "gurus" das bolsas e os seguiram no momento da escolha das acções em que investir. Há um ano, o "Investidor Privado" seleccionou um conjunto de empresas de acordo com os critérios de investimento utilizados por sete nomes respeitados pelo seu desempenho e pelos seus métodos. Hoje, regressamos ao tema para avaliar se, afinal de contas, o epíteto de "guru" assenta com justiça a todos estes nomes sonantes das finanças.

A resposta é positiva. Durante os 12 meses em causa, o índice de acções global MSCI World, calculado pela Morgan Stanley, registou uma subida de 8,96%. Parece uma "performance" animadora. Mas o facto é que se revela bastante modesta quando comparada com a rendibilidade média de 29,5% alcançada pela carteira de 14 acções que o "Investidor Privado" construiu a partir dos critérios de gente ilustre como Benjamin Graham, Warren Buffett ou James O'Shaughnessy.

O mestre de Buffett, autor do clássico "The Intelligent Investor", foi o que conseguiu os melhores resultados. Através do investimento em títulos da DSM e da Semapa, a sua estratégia rendeu uns notáveis 47%, mais de cinco vezes superior à progressão verificada pelo MSCI World, que pretende reflectir a evolução média das cotações em mercados de todo o Mundo.

A alcunha de "gurus" pode criar a ilusão de que se trata de uma espécie de bruxos, detentores de uma qualquer varinha mágica ou de uma bola de cristal que lhes permite adivinhar o futuro. Uma técnica que, como se sabe, não está ao alcance dos mortais. Mas não se trata de nada disso. As conclusões deste trabalho indicam que não há estratégias infalíveis, como se verifica pelo facto de William O'Neill, por exemplo, se ter ficado por uns pálidos 5%, incapazes de baterem o índice global. Mas também revelam que, com os critérios correctos de selecção das acções em que investir, os maus humores das bolsas deixam de parecer o papão que há-de deglutir todas as poupanças.

joaosilva@negocios.pt





Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias