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André Veríssimo - Diretor averissimo@negocios.pt 09 de Fevereiro de 2015 às 10:09

Pode o petróleo voltar aos 100?

O petróleo está de novo em alta. Significa isto que a Arábia Saudita está ganhar a guerra contra o "shale oil" americano? A primeira batalha talvez sim. Vencer a guerra pode demorar vários anos.

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O petróleo está de novo em alta. Significa isto que a Arábia Saudita está ganhar a guerra contra o "shale oil" americano? A primeira batalha talvez sim. Vencer a guerra pode demorar vários anos.


Ao recusar-se a diminuir a sua produção, o membro dominante da OPEP tinha dois objectivos, entretanto assumidos. O primeiro era manter a sua quota na comercialização de petróleo mundial (se baixasse a produção, outro país ocuparia o lugar vago). O segundo era, ao baixar a cotação, tirar do mercado os operadores que necessitam de preços mais elevados para rentabilizar a exploração: uma boa parte do petróleo extraído de sedimentos betuminosos, o "shale".


As últimas semanas trouxeram evidências de que o segundo objectivo está a ser conseguido. O ritmo a que estão a ser encerrados poços nos EUA acelerou (98 só na última semana de Janeiro). As petrolíferas já cancelaram mais de 40 mil milhões de dólares de investimento em nova produção. As cotações responderam. O petróleo cotado em Londres subiu 18% em duas semanas até aos 57,8 dólares. Vários analistas garantem, no entanto, que o preço não bateu no fundo: os "stocks" nos EUA estão em recorde e o corte no investimento demora a chegar ao mercado.


Mas e daqui a uns meses e anos? As opiniões dividem-se. O príncipe Alwaleed, da Arábia Saudita, garantia recentemente em declarações à Bloomberg que "a era do petróleo acima dos 100 dólares acabou". Esse preço era "uma aberração", garante. Tal como o são os 40 dólares. O reino ficaria contente com um preço intermédio, dá a entender.


A Agência Internacional de Energia tem alertado que os preços demasiado baixos do presente vão semear os preços demasiado altos do futuro. E prevê que o mercado petrolífero vai estar mais "apertado" já na segunda metade do ano. George Abed, consultor sénior do Institute of International Finance, coloca a cotação nos 65 dólares em Dezembro e dá mais três a cinco anos até a cotação regressar aos 100 dólares.


Jeff Currie, o economista do Goldman Sachs que em 2013 já escrevia sobre uma "nova ordem petrolífera", acredita que os dias do petróleo a 100 dólares ainda estão longe. Uma das revoluções introduzidas pelo "shale oil" consiste na redução drástica do tempo que medeia entre o investimento e a produção. Ou seja, se o preço do petróleo começar a subir, os poços, que entretanto encerraram, reabrem. Os investimentos suspensos acontecem. A deflação nos custos de produção (que a alta do dólar acentua) e os ganhos de eficiência também facilitam o "break-even". "Vamos acabar por chegar a um novo preço de equilíbrio, que será provavelmente muito inferior ao da década passada", assegura Currie. Pelo menos até ao advento de uma nova ordem... 

 

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