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Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt 26 de Abril de 2007 às 13:59

Quanto vale o BPI para quem rejeita 7€

O BCP decidiu oferecer mais dinheiro. Muito mais dinheiro. Sete euros por acção é mais do que o BPI vale em Bolsa hoje, antes da OPA, no pico da OPA ou aliás em qualquer momento da história do banco. As acções permanecem abaixo dos sete euros: o mercado n

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Tem razões para isso. O triunvirato La Caixa-Itaú-Allianz vai dizer que não vende. E para isso abdica, como mostram as contas feitas pelo Jornal de Negócios, de uma mais-valia superior a 1,5 mil milhões de euros. Mais-valia significa lucro. Um lucro destes não se desperdiça por bons ou maus fígados. Só negócios.

A tese ingénua invoca o pacto de irmandade entre estes três accionistas e a dupla Santos Silva/Ulrich. A tese conspirativa é de que estes três accionistas, ou um deles (o La Caixa), vai usar o BPI como trampolim em Portugal. A tese oficial é de que os accionistas acreditam no plano de negócios da administração, que promete valorizar o BPI ainda mais. E não é pouco: o BPI valorizou quase 40% desde o lançamento da OPA; está com rácios de mercado acelerados; e com crescimentos no mercado agressivos, com custos associados.

Não se abdica de uma mais-valia de 650 milhões, como o La Caixa abdica, por questões emocionais. Muito menos tratando-se de pragmáticos espanhóis. Como disse a Sonae do BES, só não venderia na OPA à PT quem tivesse outras motivações que não as puramente racionais. Pois também a oferta do BCP é irrecusável. E também ela será recusada.

O BCP fez o que lhe competia e subiu a parada. Fracassando, passa de predador interessado a presa potencial. Não é grande novidade: mesmo que a OPA nunca tivesse existido, o banco estaria na linha de fogo. Teixeira Pinto só pode ser acusado de ingenuidade na forma como fez a oferta, mas não de falta de sentido de negócio.

Também o BPI está vulnerável, como estava há 13 meses, só de que forma diferente: não para fora mas por dentro. Derrubar uma OPA a sete euros dissuade quaisquer atrevimentos hostis. Mas justifica rearranjos e redistribuições de poder internas. O núcleo duro está mais forte. E vai querer usar essa força.

Quando Fernando Ulrich voltou, terça-feira, a rejeitar a oferta do BCP, sublinhou de novo não o que a lei prevê (uma avaliação da administração quanto à justeza e oportunidade da oferta) mas o que considera ser o maior activo do seu BPI: a independência. É de facto notável que um banco com domínio de capital estrangeiro consiga manter um equilíbrio accionista em que a administração portuguesa é o fiel da balança. Esse equilíbrio vai ser testado. O do BCP também. Se a OPA morreu, não morreu a reestruturação na banca. Amigos, amigos, negócios à parte.

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