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Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 10 de Abril de 2018 às 23:00

Sem dinheiro não há glória

Nos últimos dias, o Sporting tomou de assalto o espaço mediático. Pelas piores razões, ou melhor, devido à incontinência verbal e “facebookiana” do seu presidente, Bruno de Carvalho. Tudo começou quando o líder leonino resolveu desvalorizar os activos do clube, passando-lhes um ralhete público pouco ajuizado.

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A partir daí os acontecimentos precipitaram-se, primeiro com a reacção dos jogadores, depois com anúncios de suspensões e processos disciplinares, que exponenciaram o erro inicial e alimentaram opiniões contraditórias no espaço público, pedidos de demissão do presidente, realização de uma assembleia-geral extraordinária e afins.

Até ontem, dominavam duas narrativas concomitantes. Uma sobre o vórtice egocêntrico que engoliu a racionalidade de Bruno de Carvalho, outra relativa à falta de tacto na gestão dos activos do clube, os jogadores. Até ontem, a questão jogava-se no domínio do futebolês, fertilizada pelas opiniões apaixonadas dos adeptos e as observações cínicas dos rivais. Sem esquecer, claro está, as suspensões das acções da SAD do clube, vistas como uma espécie de dano colateral.

Até que ontem a SAD do Sporting  enviou um revelador comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Nele, avisa que "as recentes tomadas de posição públicas por terceiros vêm prejudicar gravemente a concretização da nova oferta obrigacionista, no valor de 30 milhões de euros", um cenário que pode pôr em causa o "financiamento de operações de tesouraria" da sociedade.

Depois, alerta que uma reunião de accionistas da SAD ou de sócios do clube "para destituição dos seus órgãos sociais" ou "para eleição de novos órgãos sociais" pode inviabilizar o reembolso da actual emissão de dívida, cujo empréstimo obrigacionista foi emitido em 2015.

Ou seja, a SAD do Sporting, devido à instabilidade entretanto criada, não conseguirá captar investidores para refinanciar a sua dívida, uma situação que penalizará os obrigacionistas que investiram em 2015 e deviam agora ser reembolsados.

Duas notas. 1) A SAD atribui a responsabilidade a terceiros quando foi Bruno de Carvalho, também presidente da SAD, a desencadear uma crise que terá significativos impactos financeiros ; 2) O futuro do actual líder do Sporting está nas mãos dos accionistas, sobretudo da Holdimo, porque sem capital não haverá capacidade para lutar por títulos, sabendo-se que o apoio dos adeptos vagueia ao sabor dos resultados desportivos.

Como disse o humorista brasileiro Millôr Fernandes, "o dinheiro não dá felicidade, mas paga tudo o que ela gasta". Neste caso, a glória desportiva
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