Fernando  Sobral
Fernando Sobral 08 de fevereiro de 2017 às 09:53

Draghi, as críticas americanas e as culpas alemãs

Foi um Mario Draghi mais duro e político que apareceu no Parlamento Europeu.

O presidente do BCE deu a voz pela Europa face aos ataques vindos dos EUA, sobretudo de Pete Navarro, o principal conselheiro económico de Trump. Draghi disse que: "Nós não manipulamos a nossa moeda" e disse que há perigos se se avançar para uma desregulação financeira muito grande, como parece defender a nova administração americana. Referiu Draghi: "A última coisa que precisamos neste momento é relaxar a regulação". No "El País", Claudi Pérez escreve: "Numa presença muito política Draghi reservou uma seta para o novo presidente dos EUA, Donald Trump, que às tentações proteccionistas somou um desejo de desregular um pouco mais o sistema financeiro. Trump desenha a nova pele do capitalismo no outro lado do Atlântico com uma combinação de nacionalismo económico e manga larga para os bancos". E acrescenta: "Draghi está no meio de um fogo cruzado. Na periferia da Europa é acusado de não fazer o suficiente; no núcleo da zona euro, onde as críticas são mais audíveis, o BCE é criticado por fazer o que Berlim julga ser demasiado". Não é fácil a vida para Draghi.

Miguel Navascues, economista e antigo quadro do Banco de Espanha, escreve no seu blog: "Culpam Draghi do seu superavit, mas isso não é verdade. A Alemanha podia fazer uma política de investimentos públicos que aumentaria a procura, o que aumentaria a procura em toda a zona euro. (...) Esta 'distorção alemã' - e europeia - vai causar acções dos EUA que não vão ajudar a solucionar o problema. Era bom que os EUA pressionassem pela via diplomática os alemães para que aumentassem o seu gasto interno, mas sabemos que Trump dispara primeiro e logo se verão as consequências. (...) A Alemanha faz ouvidos surdos. Não entra no seu dogma económico que isto seja culpa sua". 




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