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Tanta reestruturação!

O capital de risco público não tem funcionado. As empresas inovadoras lutam por verbas que não conseguem. Não se sabe o que vai o novo capital de risco público apoiar nem como.

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O Governo teve uma epifania. Reestruturar o capital de risco público, há muitos meses parado à espera de decisões. Carlos Oliveira, que antes de ser governante foi empreendedor, tomou o capital de risco em mãos. Carlos Oliveira tinha créditos. Vendeu a empresa que fundou à Microsoft. E, agora, escolheu para liderar o novo capital de risco público Epifânio da Franca, que no currículo tem a constituição da bem sucedida Chipidea que vendeu a bom preço. Dois exemplos sempre referidos como "case-studies" no empreendedorismo nacional.

Para que haja muitos exemplos destes é preciso mais. A reestruturação é necessária. A multiplicidade de capitais de risco não ajudava. Ficou, para já, por explicar a ausência da Caixa Capital nesta reestruturação. Falta explicar muitas outras coisas. A grande notícia da reestruturação foi a poupança de um milhão de euros que a fusão dos organismos iria gerar. Mas para os empreendedores não chega. Esse milhão é mais do que muitos empreendedores ambicionam e precisam.

O capital de risco público não tem funcionado. As empresas inovadoras lutam por verbas que não conseguem. Não se sabe o que vai o novo capital de risco público apoiar nem como. Os privados não investem quase nada em determinadas fases de desenvolvimento das empresas, tipicamente há falta de dinheiro na criação – falha colmatada por fundos de "business angels", onde há dinheiro disponível – ou preparação de um projecto e tem havido falta de dinheiro em estágios superiores de desenvolvimento, nas segundas e terceiras rondas, que é onde as empresas mais precisam para dar o salto. Não se sabe se o capital de risco público vai responder a estas necessidades. Não se sabe quase nada.

O risco nestas reestruturações é embelezar-se a copa da árvore, mas tudo para baixo continua a secar. É a raiz que precisa de água. E também não é apenas a injectar dinheiro nas empresas inovadoras que lá chegamos. Estas precisam mais do que isso. A promoção, o acesso a outros mercados é fundamental. E é isso que o capital de risco público tem de ajudar a fazer, apoiar, promover, ajudar a estabelecer contactos, incentivar, trabalhar em rede com quem sabe. Até agora, os discursos são ocos, não muito esclarecedores. Dou o benefício da dúvida. Há muito para fazer sob pena de ser uma epifania só de nome.


*Jornalista
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