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Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 15 de Janeiro de 2012 às 23:30

O "sitting duck" Álvaro

Álvaro Santos Pereira é o "sitting duck" deste Governo. Aliás, todos os ministros da Economia que entraram em anteriores executivos pela quota dos independentes, tiveram idêntico tratamento. Que o digam Augusto Mateus, Daniel Bessa ou mesmo Manuel Pinho.

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Álvaro Santos Pereira é o "sitting duck" deste Governo. Aliás, todos os ministros da Economia que entraram em anteriores executivos pela quota dos independentes, tiveram idêntico tratamento. Que o digam Augusto Mateus, Daniel Bessa ou mesmo Manuel Pinho. Nenhum deles cumpriu até ao fim o seu mandato e todos eles foram persistentemente atacados, pela oposição (o que é natural) e pelos aparelhos partidários que deram suporte a esses governos.

Álvaro Santos Pereira é apenas o último deste rol com a agravante de ter ainda mais pastas (obras públicas e telecomunicações), o que aumenta a sua vulnerabilidade.

É por isso que a referência que Álvaro Santos Pereira fez aos pastéis de nata, para identificar produtos nacionais com potencial de internacionalização, serviu de imediato para o tentar ridicularizar. É claro que o ministro se põe a jeito e a descrição que fez dos natas e do frango no churrasco chegou a ser hilariante. Mas também é evidente que as suas fragilidades são exploradas até ao tutano, porque o seu lugar é cobiçado pelas cliques partidárias, tanto do PSD como do CDS.

Veja-se o contexto em que Álvaro Santos Pereira se referiu aos pastéis de nata. "Temos falhado na internacionalização dos nossos produtos. Nos dias de hoje, em que assistimos à maior crise das últimas décadas, é preciso encontrar caminhos para ultrapassar esta situação, e um dos caminhos passa pela aposta nos nossos produtos." Trata-se de um diagnóstico defensável e que encontra aderência na realidade.

O único problema desta mensagem é o seu mensageiro ter sido o "sitting duck" Álvaro que, muito provavelmente, não cumprirá o seu mandato até ao fim. E este é o verdadeiro problema de fundo. O afastamento prematuro dos ministros da Economia independentes resulta da conjugação de dois factores, sendo que um deles é da inteira responsabilidade dos próprios. Álvaro Santos Pereira, à semelhança dos seus antecessores, aceitou o cargo abdicando de ter inteira responsabilidade na definição da sua equipa. Ou seja, permitiu que o PSD e o CDS fizessem as suas escolhas para determinadas secretarias de Estado, cujos titulares respondem, primeiro ao partido e só depois ao ministro.

O outro é a gula insaciável das "capelinhas" clientelares e partidárias pelo poder que emana do Ministério da Economia. Depois há o epílogo. Se Passos Coelho aceitar esta fatalidade, ele próprio irá tornar-se num líder vulnerável.



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