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Manuel Esteves mesteves@negocios.pt 16 de Agosto de 2013 às 00:01

A luz ao fundo do túnel da austeridade

A reacção do Governo e dos partidos que o suportam aos primeiros números positivos sobre a evolução da economia foi prudente. Mas houve mensagens diferentes. Enquanto o PSD viu no crescimento de 1,1% do PIB no segundo trimestre uma prova de que o "esforço" dos portugueses não é em vão, o CDS preferiu não se alongar sobre a política de austeridade seguida até aqui.

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Esta disparidade foi visível nas declarações dos responsáveis dos partidos, mas também entre os dois ministros que fizeram declarações públicas sobre os números do INE. Marques Guedes, do PSD, disse que os dados "consolidam a ideia de que o caminho traçado e o programa de ajustamento de Portugal dá sentido aos esforços dos portugueses e das empresas portuguesas". Já Pires de Lima, do CDS, preferiu centrar-se na ideia de que "provavelmente estamos num momento de viragem económica", sem se referir de forma explícita às escolhas e caminhos percorridos até aqui. 


Mas além desta dualidade nos discursos do Governo – que mostra que as divergências entre os dois partidos não ficaram sanadas com o novo ciclo político –, há um aspecto comum no discurso dos dois partidos que compõem a coligação governamental: o tabu em torno da palavra austeridade. Nem austeridade, nem défice, nem cortes nos salários e pensões, isto uma semana depois do Governo divulgar os pormenores da nova de austeridade que aí vem.

No fundo, o Governo limitou-se a dizer-nos que há uma luz ao fundo do túnel da austeridade. Falou-nos da luz, mas não do túnel que a afasta de nós, e que parece não ter fim à vista. E se essa luz alumia alguma esperança, vislumbrá-la não chega para dar vida à economia e aos portugueses.

Para que esta luz dos números do PIB se transforme em claridade é preciso que o túnel termine. Acontece que este vai ser prolongado ainda por muito tempo. O Governo continuará a prosseguir uma política de austeridade imposta pela troika de credores que, na prática, põe o país e os portugueses a produzirem abaixo do que estes seriam capazes: com menos emprego, menos salários, menos produção, menos riqueza.

Os economistas são consensuais: não há forma de o consumo das famílias e a confiança das empresas escaparem ilesas aos cortes profundos nas pensões e aos despedimentos no Estado que se avizinham. É mais um golpe nos funcionários públicos e nos reformados e a expectativa está em saber se os trabalhadores e empresários do sector privado conseguem compensar o choque.

O comissário europeu Olli Rehn resumiu bem a coisa: "Espero que não se crie a ideia prematura e auto-congratulatória de que a crise acabou". Dito de outro modo, isto é a doer e ainda não doeu o suficiente.

Editor de Economia
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