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Manuel Esteves mesteves@negocios.pt 28 de Janeiro de 2016 às 20:40

Esboços à parte, no final quem ganha é o BCE

Os últimos dias marcaram o início do muito aguardado confronto entre o Governo de António Costa e a Comissão Europeia. É um conflito dissimulado, que se faz de jogos, não só de palavras, mas de regras e procedimentos, informações e contra-informações e, está visto, de esboços. 

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Depois de o Governo enviar o seu esboço orçamental, muito afastado das recomendações europeias, a Comissão Europeia respondeu com uma carta que não auspicia nada de bom. Como diz Costa, em si a carta não tem nada de especial, mas o tom adoptado por Bruxelas é muito duro. No dia seguinte, veio a público uma análise preliminar ao esboço orçamental, que parece falar de um país diferente daquele que Costa quer governar. Nada de oficial, onde o governo se reconheça ou que a Comissão assuma como seu. Para já, é uma espécie de esboço sobre o esboço orçamental.

O Governo e o PS sacodem a pressão dos ombros lembrando que nos processos negociais tem de haver cedências parte-a-parte.

Não se sabe até onde irá o conflito, mas sabe-se que no final… ganha o BCE. O Governo de Costa acabará por ceder. Se recuar muito, fica sem apoio parlamentar e cai. Se não recuar, arrisca-se a ficar sem financiamento nos mercados, e cai. A arte de Costa estará em ceder "poucochinho" aos olhos dos portugueses e q.b. aos olhos da Europa e dos mercados.

O que fará António Costa curvar não são as sanções previstas nos regulamentos europeus, mas sim os mercados, os mesmos que asseguram o financiamento vital de um Estado e de empresas para sempre endividados (e manietados). É com eles que Bruxelas conta para trazer a governação portuguesa de volta aos eixos europeus. Os mercados acabam, assim, por actuar como uma espécie de jagunços de Bruxelas e da Europa liberal, que fazem o trabalho sujo quando necessário.

Mas a estocada final caberá sempre ao BCE – que é o verdadeiro dono disto tudo – e as agências de rating já começaram a dar o mote. Se o programa de Tsipras coube na gaveta, o de Costa também caberá.

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