Manuel Esteves
Manuel Esteves 19 de fevereiro de 2015 às 00:01

Esqueçam a dívida e o défice. É mesmo política

A dívida pode ser reestruturada e o excedente orçamental até pode derrapar. O que a Grécia não pode deixar para trás são as políticas decididas pela Europa. A linha vermelha que Alexis Tsipras, embalado pelo voto da maioria dos gregos, ameaçou ultrapassar é puramente ideológica. E potencialmente mortal.

 

A Europa quer garantir que a Grécia prossegue o rol de políticas que foram prescritas a Portugal, Espanha, Irlanda, Chipre, entre outros. A estas políticas a Europa chama reformas estruturais. Os portugueses ouviram falar muito delas, as tais que tinham de ser. Há outros nomes para as reformas estruturais: privatizações, flexibilização do mercado laboral, contenção de salários, desregulamentação dos mercados ou redução dos gastos do Estado com serviços públicos.

Estas medidas são prescritas e comentadas como se fossem as práticas recomendáveis para o governo de uma nação. Uma espécie de guia de boas práticas que qualquer governo sensato e realista deve seguir. Mas não foi sempre assim: há não muito tempo, muitas destas medidas eram defendidas por académicos radicais e apelidadas de política liberal agressiva. Agora, aqueles que se lhe opõem são vistos como os radicais.

É em nome destas políticas que o Eurogrupo, com Schäuble à cabeça, tem sido implacável com a Grécia. Para o ministro alemão, o povo grego escolheu mal. Agora, é preciso garantir que não haverá mais povos a caírem no mesmo erro. Tsipras e Varoufakis terão de cair. Ou eles ou as suas ideias. 

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