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Poupar é complexo

A política monetária adoptada pelo Banco Central Europeu nos últimos anos tem sido a grande aliada das famílias que têm dívidas ao banco, sobretudo crédito à habitação

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A política monetária adoptada pelo Banco Central Europeu nos últimos anos tem sido a grande aliada das famílias que têm dívidas ao banco, sobretudo crédito à habitação. Quase ninguém escapou ao corte de rendimentos depois de Portugal implementar o programa de assistência financeira, pelo que a descida da prestação do crédito da casa foi mesmo dos poucos alívios que as famílias portuguesas puderam sentir no seu orçamento nos últimos anos.


Se os devedores foram beneficiados com os cortes da taxa de juro para mínimos históricos, quem tem dinheiro para investir e o quer aplicar em produtos de baixo risco e capital garantido, certamente não estará muito contente com a política monetária do BCE. A taxa de juro de referência está actualmente em 0,15% e Mario Draghi já fez saber que, devido à ameaça de baixa inflação na Zona Euro, deverá permanecer neste mínimo histórico pelo menos por mais dois anos.


Quem for hoje ao seu banco para aplicar as poupanças num depósito tradicional, dificilmente ficará satisfeito com o juro oferecido. A taxa média bruta que os bancos estão a propor é inferior a 2% e a tendência é para que desça ainda mais. É por isso compreensível o forte aumento do investimento dos portugueses em depósitos indexados e duais. No ano passado aplicaram mais de 4 mil milhões de euros nestes produtos e este ano, só em seis meses, este valor já foi superado.


Estes depósitos são produtos financeiros complexos, mas ao contrário do que o nome possa indicar, até são simples de entender. O aforrador não incorre em risco de perder o capital e, tal como os outros depósitos, também beneficia do Fundo de Garantia de Depósitos. Quanto ao juro que vai receber, fica dependente de se verificar um conjunto de situações, relacionadas com os instrumentos aos quais estão indexados.


No Investidor Privado de hoje, encontra as várias ofertas de depósitos complexos dos bancos nacionais. A grande maioria destes depósitos está indexado ao comportamento de um conjunto de acções. E funciona desta forma: se todas valorizarem, o juro pode aproximar-se dos 5%, mas basta uma delas perder valor e o juro é nulo. Não é garantido, mas a diferença entre 0% e 1% (o juro líquido da maioria dos depósitos tradicionais) também não é muita.


Colocar o dinheiro num depósito, não ter o risco de perder capital e estar exposto à variação da bolsa, pode ser uma solução a ter em conta numa altura em que não abundam remunerações interessantes para aplicações de baixo risco. 

 

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