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A linha que separa a Zon-Optimus do pequeno accionista

A fusão entre a Zon e a Optimus aconteceu, finalmente. A decisão das administrações é uma mera formalidade e a Concorrência parece estar garantida.

A operação é óptima para a própria Zon, é fantástica para a Optimus, é boa para os maiores accionistas, facilita a vida aos financiadores e até pode vir a trazer alguma vantagem para os clientes das duas empresas. Todos ganham com esta união. Todos? Não. Mais uma vez, os pequenos accionistas são completamente ignorados pelos verdadeiros donos das empresas cotadas.

 

Começa a fazer escola em Portugal deixar os pequenos accionistas perante inevitabilidades negociadas por quem realmente manda nas estruturas accionistas. Em casos particulares, ainda poder-se-á argumentar que as circunstâncias eram especiais. Talvez a entrada "colossal" dos chineses na EDP ou na REN se possa justificar pela necessidade absoluta de o Estado fazer um encaixe salvador das contas públicas. 

Já na tomada de controlo do BPI pelo La Caixa, com o posterior apoio de Isabel dos Santos, os pequenos accionistas do BPI foram completamente relegados para o papel de espectadores. Tal como nos indescritíveis casos Cimpor e Brisa, onde o espectáculo a que assistiram ainda foi pior, pela falta de respeito generalizada de administrações, grandes accionistas e reguladores (no caso da Zon-Optimus ainda há margem para o regulador actuar, mas a actuação no passado não permite ter grande optimismo).

 

Chegados a este ponto, parece claro que o mercado de capitais é mais um embaraço para as empresas do que uma verdadeira plataforma de financiamento, transparência e partilha de responsabilidades e benefícios.

 

E é pouco importante encontrar culpados ou responsáveis. Em cada caso, haverá uma justificação, explicação, enquadramento. O que importa é identificar uma mudança de cultura, que coincide com uma recessão económica profunda, ausência de projecto económico para o país e uma intervenção externa.

 

As consequências para a bolsa também parecem óbvias. O mercado está moribundo, como o País. Quando o ciclo inverter, talvez voltem as operações de bolsa. Mas aí já terão de lidar com os estragos desta mudança de cultura... ou não, tendo em conta a adesão que a recente onda de emissões obrigacionistas suscitou nos pequenos aforradores. 

 

De qualquer modo, isso é para o futuro. Para aqueles que acreditaram que iriam partilhar as etapas de sucesso das empresas que financiaram, o capitalismo popular já é uma história triste para contar aos netos.

 

*Editor de Empresas

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