Pedro Ferreira Esteves
Pedro Ferreira Esteves 23 de abril de 2013 às 00:01

Cavaco e Portas viajam com bandeiras de Sócrates

O Presidente da República levou durante uma semana um grupo alargado de empresários à Colômbia e Peru, para fomentar os negócios com parceiros locais, com a mira apontada aos extensos planos de investimento público em curso nos dois países.

Cavaco Silva aproveitou para destacar, no Peru, "sectores onde detemos uma larga experiência no mercado global, como é o caso das infra-estruturas e obras públicas, transportes, energia e telecomunicações". Já o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, explicou aos empresários peruanos que "há empresas portuguesas que têm altíssima especialização" nos sectores onde o país está a investir, nomeadamente em projectos na área do imobiliário de habitação, num metro subterrâneo, numa rede ambiciosa de auto-estradas, numa ferrovia costeira, em gasodutos e em mini-hídricas, ou na extensão da rede de fibra óptica a todo o país.

Na Colômbia, os sectores de infra-estruturas estão menos abertos, devido à forte concorrência local, as renováveis ainda estão numa fase muito incipiente, mas as tecnológicas são recebidas de braços abertos, dado o programa de desenvolvimento tecnológico em curso nas escolas a nível nacional.

E na comitiva iam, efectivamente, empresas que ganharam experiência na sequência de políticas como o e-escolas ou a aposta na tecnologia que suporta a fibra óptica, das parcerias público-privadas nas estradas e ferrovias, mas também empresas que desenvolveram, em Portugal, nos últimos anos, "know how" nas áreas das renováveis, em especial no sector das mini-hídricas. Em comum, tinham o facto de terem sido bem sucedidas graças às apostas de desenvolvimento económico lançadas pelo Governo de Sócrates.

E é nessa circunstância que reside a ironia, que nenhum dos responsáveis que integraram a comitiva quis comentar. As bandeiras de Sócrates foram empunhadas orgulhosamente por Cavaco Silva e Paulo Portas, dois dos seus mais intensos adversários políticos. Perante a instauração de uma política cega de austeridade em Portugal, estas empresas aproveitam estas visitas oficiais para fazerem valer as competências que adquiriram em Portugal, numa altura em que os seus sectores estão na mira das políticas da troika devido aos excessos cometidos com os dinheiros públicos. Mas o suporte diplomático dado por Cavaco e Portas é tudo menos irónico. Aos olhos destes empresários – e até dos colombianos e peruanos – surge mesmo como natural.

*Editor de Empresas

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