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Pedro Ferreira Esteves pesteves@negocios.pt 06 de Julho de 2016 às 18:00

Eurozombies

Paul Pogba, o imponente e atlético médio centro da selecção de França, já jogou 4.161 minutos esta época, desde os amigáveis de Verão, há 365 dias, ao jogo da meia final do Europeu.

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São três dias a jogar à bola sem parar. A correr, a travar, a acelerar, a passar, a saltar, a chutar, a cair, a levantar-se, a reclamar. A ouvir vozes na cabeça, palavras ditas no balneário, na bancada, na televisão. Nas redes. 

O adversário de Pogba, o irrequieto e decisivo Thomas Muller, já fez o mesmo, mas em "apenas" 3.751 minutos. São estes seres humanos, corpos de elite, mas ainda assim corpos humanos, que vão correr, travar, acelerar, passar, saltar, chutar, cair, levantar-se, reclamar. E ouvir vozes. Mais 90 minutos. Mais 180 minutos.


Graças à ganância do ecossistema do futebol, os melhores jogadores do mundo chegam mortos-vivos aos momentos mágicos da carreira. Arrastam-se em campo, sem forças para brilhar, destacando-se pelo sacrifício ou falta dele. O que falta em lucidez, sobra em jogos. O que falta em qualidade dentro de campo, sobra em quantidade fora dele. O futebol é pobre, mas o Futebol fica rico. 
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