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Pedro Ferreira Esteves pesteves@negocios.pt 21 de Maio de 2013 às 00:01

Facebook em bolsa? É complicado

O alerta está dado: "cuidado, Facebook!" O autor é credível: Rupert Murdoch, o magnata dos media sensacionalistas e/ou conservadores. E a análise é fundamentada no seu próprio erro.

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Recorrendo a uma fria, talvez espontânea, ironia, Murdoch fez o alerta a Zuckerberg através da rede social rival Twitter. Na sexta-feira, escreveu 134 alarmantes caracteres: "cuidado, Facebook! Estão a cair a sério as horas gastas por utilizador. Primeiro verdadeiro mau sinal, como aconteceu com a porcaria do MySpace, anos antes". Uma prenda de aniversário que Murdoch decidiu dar aos milhares de investidores em acções do Facebook, que registam uma perda de 30% face à estreia. 


Murdoch sentiu na pele o risco de investir nas "dot.com", depois de ter comprado o MySpace por 580 milhões de dólares em 2005, acabando por ser forçado a vendê-lo por 35 milhões seis anos depois, perante o assumido fracasso de rentabilizar o negócio desta rede social de música.

E o empresário baseia-se na avaliação dos analistas citados pelo "Financial Times" que alertaram para os sinais de cansaço nos utilizadores do Facebook, dados os resultados de uma sondagem da Pew Research nos EUA (34% dos utilizadores dizem que passam menos tempo no Facebook e 28% que a rede é menos importante para eles do que há um ano).

Esta aparente inversão do momento económico do negócio do Facebook surge num contexto em que os gabinetes de crise da empresa já haviam reunido devido às dificuldades em rentabilizar a publicidade em telemóveis (cujo peso entretanto já cresceu de 23% para 30% nas receitas totais de publicidade do grupo).

Tudo isto, depois da conturbada estreia em bolsa, que levou o Nasdaq a fazer provisões de 72 milhões de dólares para acautelar multas e compensações pelos problemas informáticos nas primeiras horas de negociação do Facebook em bolsa

Os investidores que contribuíram para valorizar o Facebook em 104 mil milhões de dólares, há um ano, devem estar a assistir a tudo isto com um nó na garganta, o mesmo nó que milhões de outros investidores assistiram à sobrevalorização artificial de centenas de negócios "dot.com" na década de 90. Na base da euforia voltaram a estar avaliações de bancos de investimento que, perante a mais que provada incapacidade de antecipar o percurso da vida das tecnológicas – por óbvia falta de referências passadas – decidiram fundamentar decisões de investimento com a velha lógica comercial: se há muita procura, sobe-se o preço. Depois, logo se vê.

Agora, os analistas até já dizem que os títulos do Facebook podem beneficiar das baixas expectativas do mercado para o segundo ano. Felizmente, ao contrário de Murdoch, não o previram através do Twitter, a próxima grande estreia em bolsa de uma "dot.com", agora já a valer um décimo da sua rival Facebook.

Perante isto e citando a genialidade eloquente da própria rede social, o estado da relacionamento entre os investidores e o Facebook "é [cada vez mais] complicado".

*Editor de Empresas

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