Com primos:
Este cartaz da Iniciativa Liberal baseia-se num outro do PS que arrancava com a afirmação “cumprimos”. A expressão “com primos” é um alusão ao familygate, ou seja, as relações familiares entre governantes e membros dos seus gabinetes.
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Mais impostos:
A ideia de que houve mais impostos assenta sobretudo no aumento das receitas fiscais, que foi de facto bastante expressivo, mas em grande medida suportado pelo crescimento da receita do IVA e das contribuições sociais (que por sua vez estão muito dependentes do dinamismo económico). Quanto a aumentos de impostos decididos pelo Governo, não foram muitos: destaca-se a criação do adicional ao IMI, que afeta patrimónios mais elevados, e a subida do imposto sobre o gasóleo. IRS e IVA para a restauração baixaram.
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Menos serviços públicos:
Não é fácil aferir se houve mais ou menos serviços públicos. No SNS, que tem estado sob os holofotes dos media, tem havido muitas notícias sobre a falta de médicos e de encerramentos pontuais de serviços, mas os números oficiais sobre a “produção” (consultas, cirurgias e número de profissionais) apontam para um aumento. Resta saber se terá sido suficiente para responder à subida da procura.
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Área ardida:
2017 foi, efetivamente, um ano record em matéria de incêndios, com um total de 539.921 hectares de área ardida, de acordo com as estatísticas do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Foi o ano das tragédias de Pedrógão Grande, logo no início do verão, e do sempre massacrado distrito de Santarém, entre muitos outros. Recuando para 2016, registaram-se 167.807 hectares ardidos e em 2015 tinham sido 67.200. No ano passado, o país voltou a recuar na dimensão da área ardida, para os 44.578 hectares ao longo de todo o ano. Este ano os incêndios voltaram a ser notícia, mas de novo longe das dimensões do negro ano de 2017. De acordo com os números mais recentes, contabilizados ao dia pelo ICNF arderam até 23 de setembro 40.922 hectares, entre matos, floresta e terrenos agrícolas.
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Mortes em listas de espera:
Este número foi retirado de várias notícias sobre uma auditoria do Tribunal de Contas. Os dados oficiais (Relatório Anual de Acesso ao Serviço Nacional de Saúde 2018) indicam que o número de óbitos de utentes que estavam inscritos em lista de espera para cirurgia foi de 2,8% em 2016, o que dá mais de cinco mil pessoas. A percentagem subiu para 3,4% em 2017 e desceu para 3% em 2018, o que significa que morreram mais de seis mil pessoas que estavam inscritos nas listas de espera para cirurgia.
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Impostos cobrados:
O número remete para o aumento da receita fiscal entre 2015 e 2018, sugerindo que tal aconteceu por via de medidas de política tomadas pelo Governo.
Segundo as contas do Instituto Nacional de Estatística, o peso dos impostos passou, de facto, de 25,4% do PIB no ano em que António Costa tomou posse, para 25,5% em 2018. Esta décima a mais no PIB corresponde a 6.400 milhões de euros de receita tributária adicional, face ao que foi arrecadado em 2015.
Mas desagregando por tipo de imposto, verifica-se que as receitas dos impostos sobre o rendimento caíram de forma significativa (cinco décimas do PIB). Em contrapartida, o peso das receitas do IVA no PIB aumentou em sete décimas. Esta subida estará relacionada com o crescimento da atividade económica, uma vez que o Governo não subiu nenhuma das taxas de IVA - pelo contrário, baixou o IVA aplicado à restauração e à eletricidade, para potência mais baixa.
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