O novo rosto do poder do BCP conta com 17 nomes. Maya é CEO. Amado é "Chairman".
O novo conselho de administração do BCP, proposto pela Fosun, Sonangol e Grupo EDP, terá 17 elementos, face aos 19 membros actualmente em funções. Dos nomes propostos, oito estão já no banco. É o caso de Nuno Amado, que subirá a "chairman", e de Miguel Maya, que assume a presidência executiva. O mandato é até 2021, caso os accionistas aprovem o alargamento do prazo para o exercício de funções. A votação é dia 30.

Nuno Amado
Presidente do CA
Foi o presidente da comissão executiva do BCP e vice-presidente da administração desde 2012, quando ocupou o lugar de Carlos Santos Ferreira. Foi o líder executivo no período de reestruturação por que passou a instituição financeira, que envolveu a ajuda estatal. Passa, na nova fase da vida do banco, com a Fosun como maior accionista, a presidente do conselho administração. Acompanhará de perto as actividades internacionais e a possível expansão pretendida para novos negócios globais. É, em representação da instituição financeira, membro do conselho geral e de supervisão da EDP. Antes de chegar ao BCP, foi CEO do Santander Totta, de 2006 a 2012. Começou na auditoria, na KPMG, em 1980, chegando à administração de bancos em 1993, no Deutsche Bank Portugal.

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Norberto Rosa
Não executivo
Supervisão. Governo. Banca. São estas as ligações de Norberto Rosa, um dos nomes propostos pelos accionistas que controlam 49% dos votos do BCP. Também esteve no Governo e por duas vezes com o PSD. No Executivo liderado por Cavaco Silva, é secretário de Estado do Orçamento. Com Durão Barroso, repete as funções. Antes da primeira experiência governativa, passa uma década no gabinete de estatística do Banco de Portugal; no regresso sobe a director-adjunto da supervisão bancária. Segue depois para o segundo papel de governante, de onde saiu para a administração da CGD. Deixou o banco público em 2013, assegurando funções de consultor da administração do supervisor. Agora, vai ser administrador não executivo do BCP, presidindo à comissão de auditoria.

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Cidália Lopes
Não executivo
Em 2015, a académica, com experiência como professora em institutos superiores, é chamada para administradora não executiva do BCP. Aí fica um mandato, que é renovado agora na assembleia-geral. É também membro da comissão de auditoria, onde permanecerá no próximo mandato. A fiscalidade é um dos temas das publicações de que é autora, bem como o assunto de grupos de trabalho de que já fez parte.

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Valter de Barros
Não executivo
É de Angola que vem Valter Barros, aceitando ser proposto para vogal da comissão de auditoria, que tem de fiscalizar a gestão de Miguel Maya. Banco Comercial Angolano e Banco Totta de Angola são instituições financeiras onde trabalhou. O Banco de Desenvolvimento de Angola foi um banco que administrou. Em Luanda, foi também professor de Análise de Matemática. Desde 2017, ano que ficou marcado com a passagem de João Lourenço a presidente angolano, que está como consultor do ministro das Finanças daquele país.

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Wan Long
Não executivo
Os accionistas do BCP quiseram unir a experiência de supervisão e o conhecimento do mercado asiático e encontraram a solução em Wan Sing Long. Terá funções na comissão de auditoria do banco no próximo mandato. Chinês é a língua materna de quem foi quadro da China Construction Bank e director do departamento de supervisão da autoridade macaense. Em Macau, esteve também no governo regional, onde foi adjunto para as políticas macro-económicas.

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Ana Paula Gray
Não executivo
É uma das novas administradoras não executivas do BCP. É considerada não independente devido à ligação à Sonangol, que passou a ser a segunda maior accionista do banco, atrás da Fosun. Ambas as accionistas, a par do Fundo de Pensões do BCP, subscreveram a lista de administradores para o banco. O BCP não é a primeira experiência na banca de Ana Paula Gray. Foi na administração do Banco Angolano de Investimentos que passou muitos dos últimos anos, em Luanda, Angola. O inglês é a língua materna da gestora que teve a sua formação na África do Sul.

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Maria José Campos
Executivo
Engenheira electrónica e de telecomunicações de formação, foi chamada pelos accionistas para gestora do banco português. É, aliás, a única mulher no banco dos executivos no próximo mandato. Vem do polaco Bank Millennium, onde é vogal da administração desde 2011. Tem uma área de actuação core: as tecnologias da informação. Antes da administração, era já directora nesse ramo naquele banco polaco, sendo que também era responsável por essa área noutras operações europeias, como o mercado romeno, de onde o BCP saiu por receber ajuda pública. Esteve, igualmente, na subsidiária do banco em Macau, uma área onde a instituição expandir-se nos próximos anos.

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José Pessanha
Executivo
É um homem BCP. Reconduzido como membro do conselho de administração e da comissão executiva do BCP, José Pessanha exerce estas funções desde 2015. O pelouro pelo qual tem sido responsável é o risco. Esse departamento é o seu desde 2003, até ao ano em que subiu à administração. Contudo, antes disso já estava no banco fundado por Jardim Gonçalves, para onde entrou por via da aquisição do Banco Português do Atlântico, tal como Miguel Maya.

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João Nuno Palma
Executivo
A entrada no BCP deu-se pela mão da Fosun, que o convidou para vice-presidente da comissão executiva. Ficou, aí, responsável pela presidência do suíço Privée BCP e pelo Banco Internacional de Moçambique. Antes de ir para o banco privado, esteve na administração financeira da Caixa Geral de Depósitos, entre 2012 e 2016. À banca juntam-se a energia e as tecnologias da informação (esteve na ParaRede – hoje Glintt) como áreas onde tem experiência. Foi administrador financeiro da REN e da empresa que gere a barragem de Cahora Bassa, em Moçambique. A experiência internacional existe no currículo: além da hidroeléctrica, foi estando na administração de várias das sociedades no estrangeiro do banco público. Começou na investigação académica, passou depois para analista financeiro.

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Miguel Maya
Presidente da CE
Conhece o BCP desde a compra do Banco Português do Atlântico, de onde era quadro desde 1990. Esteve nas equipas de integração daquele banco. Desde aí, vem assumindo um protagonismo cada vez maior na instituição financeira. Foi chefe de gabinete dos ex-presidentes Filipe Pinhal e Carlos Santos Ferreira. Subiu depois à administração, em 2009, pela mão de Santos Ferreira. Foi no topo que continuou com a chegada de Nuno Amado. Foi presidente do electrónico ActivoBank e teve uma estreita ligação à presença do BCP em Angola, através do Millennium Atlântico. A chegada a CEO surge com o acordo entre a Fosun e a angolana Sonangol. Deixar a reestruturação para trás e apostar numa nova estratégia é o seu papel.

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Miguel Bragança
Executivo
É o responsável pelos números do BCP. Da contabilidade às acções. Desde a presidência de Nuno Amado, em 2012, que Miguel Bragança está também na comissão executiva do BCP, com a área financeira sob sua responsabilidade. É aí que continuará no novo mandato, em que Amado passa a “chairman”. Foi pela sua mão que chegou ao banco, vindo do Santander Totta. Em 1993 já era da comissão executiva do então denominado Banco Santander Negócios Portugal. Na banca, a carreira começou na área de mercado de capitais, no Citibank Portugal.

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Rui Teixeira
Executivo
Foi na americana Texas Instruments (que dá nome às calculadoras gráficas) que teve o primeiro emprego. Passou logo depois para a banca. Técnico na direcção de marketing de particulares foi a sua primeira função no BCP, em 1987. A carreira foi construída na instituição financeira. A área comercial foi uma das que marcou sempre presença. Em 2011, ainda com Carlos Santos Ferreira na presidência, passa a administrador executivo. Permaneceu com Nuno Amado. Ficará com Miguel Maya.

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Xu Lingjiang
Não executivo
Não é novo no BCP. É apontado em representação da Fosun, sendo portanto administrador não independente. Aliás, já o é no mandato que agora termina, para onde entrou após o investimento do grupo chinês, a par de João Nuno Palma. Tem experiência em diplomacia, tendo sido, por exemplo, primeiro secretário da embaixada chinesa em Londres. Pertence a administrações de outras empresas ligadas ao grupo chinês: Luz Saúde e Fidelidade.

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Xian Xu Gu
Não executivo
De nacionalidade chinesa, é um dos nomes propostos pela Fosun para não executiva do BCP, razão pela qual é considerada não independente. O Grupo Fosun é, aliás, um dos que teve ligação profissional, sendo até sua “partner” global. Tem passado na banca e também no governo popular do Distrito de Putuo, Xangai, segundo o currículo divulgado pelo banco. A comissão de nomeações do banco considera que a nova administradora do banco conta com “experiência no sector bancário e industrial e respectivos reguladores e conhecimentos sobre a economia asiática”. É na Ásia que o banco quer agora expandir os seus negócios.

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Teófilo Fonseca
Não executivo
Num mandato em que assumidamente quer dar um novo foco internacional, o BCP foi buscar para seu administrador, ainda que com funções não executivas, um ex-profissional da concorrente Caixa Geral de Depósitos. Teófilo Fonseca foi o subdirector da direcção internacional do banco público até Novembro do ano passado. Angola é um mercado que conhece bem: foi director do anteriormente denominado Caixa Geral Totta Angola de 1976 a 2010, e continuou como assessor da comissão executiva por outros quatro anos. Espanha e Timor-Leste são outros mercados onde marcou presença profissional.

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José Elias da Costa
Não executivo
É um dos nomes da lista conjunta de Fosun, Sonangol e Fundo de Pensões da EDP para administrador não executivo do BCP. Exerce funções como consultor do Banque de Dakar, no Senegal, mas a experiência recente foi na gestão executiva do Santander Totta. Saiu do banco em 2016, depois de ter chegado à administração em 2002, em substituição de Carlos Tavares, quando foi para ministro da Economia. Elias da Costa também tem passado governativo no curriculum: foi secretário de Estado das Finanças e também da Construção e Habitação em governos liderados por Cavaco Silva.

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Jorge Magalhães Correia
Não executivo
É a face do poder da Fosun em Portugal. É o presidente da Fidelidade desde 2008, mas desde 2000 que o seu nome faz parte da administração da companhia. Manteve-se na presidência da Fidelidade mesmo quando, em 2014, o grupo chinês ficou com o controlo da companhia seguradora. Mas já tinha estado na liderança de outras empresas do sector: Via Directa e Mundial Confiança (depois integrada na Fidelidade). Está na presidência da Luz Saúde, detida pela companhia seguradora, estando também no conselho da REN, onde a Fidelidade é accionista. Direito é a área de formação.

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