Economia já recuperou meio milhão de postos de trabalho
Evolução do número total de empregos entre o quarto trimestre de 2010 e o segundo trimestre de 2013

No segundo trimestre de 2018, Portugal chegou aos 4,9 milhões de empregos, voltando aos níveis do último trimestre de 2010. Em pouco mais de dois anos foi destruído meio milhão de postos de trabalho. A recuperação começou em 2013 e exigiu o dobro do tempo para compensar os empregos destruídos. Os números são do INE.
Valores em milhares

Como a crise e a retoma mudaram os empregos
A recuperação económica trouxe empregos com características diferentes do que foram destruídos. O novo emprego é mais feminino, mais velho e mais qualificado. Os serviços esmagam, Lisboa e Norte dominam cada vez mais e quase todo o trabalho é por conta de outrem. Só os níveis de precariedade não mudaram.

Género
Idades
Região
Escolaridade
Sector
Tipo Contrato
Situação
Mulheres substituem homens
Os números são muito claros. Os homens perderam 310 mil empregos (primeira barra vermelha) e recuperaram apenas 235 mil (barra azul). Já as mulheres, perderam 202 mil mas ganharam 284 mil. Resultado: as mulheres já representam quase metade dos empregados em Portugal (49% contra 47% oito anos antes).

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Fonte: INE

Jovens falham boleia da retoma
É uma das evoluções mais surpreendentes. Todos os grupos etários foram muito afectados pela crise, mas o choque foi maior entre os mais novos. O INE estima, entre os 25 e os 34 anos, quase 200 mil tenham perdido o emprego durante a crise. Mas quando o ciclo mudou, foram os trabalhadores mais velhos que colheram mais frutos: foram criados 219 mil empregos no segmento entre os 55 e os 64 anos, quando só 37 mil empregos foram destruídos antes. Isto teve efeitos na estrutura do mercado de trabalho. Os empregados com mais de 45 anos representam agora 48% da população empregada, contra 43% oito anos antes. Em sentido inverso, os jovens até aos 34 anos passaram de um peso de 29,6% para 25,3%.

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Fonte: INE

Retoma privilegia Lisboa e Porto
Durante a crise nenhuma região do Continente foi poupada (como se vê pelas barras vermelhas que ilustram os empregos destruídos). O problema é que o Centro, que foi uma das regiões mais fustigadas pelo desemprego, não foi capaz de acompanhar a retoma e só conseguiu recuperar um em cada três empregos destruídos. Lisboa, sim, criou 179 mil empregos (barra azul), mais 67% dos que foram antes destruídos. Apesar destes contrastes, a estrutura do mercado de trabalho mudou pouco, com o Centro a baixar ligeiramente o seu peso no emprego total e Lisboa a ganhar.

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Fonte: INE

Razia nos trabalhadores pouco qualificados
Cada vez mais, as qualificações fazem toda a diferença no mercado de trabalho. Durante a crise, os empregos qualificados (incluindo aqui secundário completo e superior) aumentaram em número – e por isso a barra vermelha (destruição de emprego) surge negativa. Durante a retoma, dispararam (barra azul), ao passo que o número de trabalhadores que não foram além do ensino básico continuaram a cair a pique (para azul em valores negativos). Por isso, os empregados com curso superior representam agora 26,5% da mão-de-obra, quando eram apenas 17,1% há oito anos. Com os trabalhadores que têm até o básico, o seu peso no mercado de trabalho passou de 64% para 46%.

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Fonte: INE

Serviços dominam cada vez mais
A agricultura não pára de perder emprego. A crise destruiu 95 mil empregos (barra vermelha) e a retoma acabou com 124 mil (barra azul). Quanto à indústria, esta recuperou pouco mais de metade dos empregos destruídos e os serviços criaram três vezes mais empregos que os destruídos na crise, à boleia do turismo. Resultado: o peso dos serviços no mercado de trabalho passou de 63,7% para 68,7%, enquanto a agricultura emagreceu de 11% para 6,5%. A indústria ficou sensivelmente na mesma.

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Fonte: INE

Passada a crise e a retoma, a precariedade é a mesma
Em número, a crise destruiu mais empregos sem termo do que os precários (também porque há muito mais postos de trabalho permanentes). Mas quando chegou a retoma, também foram estes empregos mais seguros que mais cresceram. Mas em termos estruturais, nada mudou na economia portuguesa. No segundo trimestre deste ano, 22,1% dos empregos existentes tinham vínculos precários, uma percentagem idêntica à verificada no quarto trimestre de 2010, quando a economia tinha o mesmo número de postos de trabalho. Se a comparação for feita com o período homólogo de 2010 (em que o número total de emprego era menor do que agora), as conclusões pouco mudam (22,9%).

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Nota: ficam excluídos os trabalhadores por conta própria
Fonte: INE

Trabalho por conta própria cai a pique
Esta é das grandes transformações. A crise destruiu, em número, mais postos de trabalho por conta de outrem, mas em termos relativos foi muito mais devastadora para o trabalho por conta própria. E quando a retoma voltou, este tipo de emprego continuou a minguar (por isso a barra azul é negativa). Agora, dos 4,9 milhões de empregos existentes no segundo trimestre deste ano, 83% são por conta de outrem. No quarto trimestre de 2010 eram 77%. Já os empregados por conta própria passaram de 16,6% para 11,6%, de onde se depreende que houve uma transferência de um grupo para o outro.

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Nota: existem ainda outras situações residuais que não são consideradas neste gráfico
Fonte: INE