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"A Santa Casa tem disponibilidades financeiras, que tem obrigação de saber gerir."
A Lógica do negócio
Para Edmundo Martinho, a Santa Casa dispõe de disponibilidades financeiras que têm de ser utilizadas. Os depósitos da instituição de solidariedade social ascendiam, no final de 2016, a 198 milhões de euros. Só que estas aplicações pouco rendem, tendo em conta as taxas de juro. Segundo o provedor, "nada disto é novo": a Santa Casa, "pelo menos desde os anos 60 do século passado, tem tido intervenções muito avultadas no domínio financeiro". O responsável da Misericórdia mencionou a titularidade, no passado, de acções do BCP, CTT e a constituição de uma sociedade de leasing. A entrada no Montepio é diferente, sobretudo tendo em conta que pode ascender a 10% e que, no tecto máximo, poderá envolver 25% do activo.

"Não está nenhum valor determinado."
O preço
Edmundo Martinho recusou a ideia de que haja uma avaliação provisória sobre o Montepio que permita saber quanto é que a Santa Casa deverá investir na caixa económica, se o negócio se concretizar. O provedor afirmou que aguarda as conclusões pedidas ao Haitong, "processo que tem de ser feito com muita cautela". O intervalo de preço que o ex-líder do Instituto de Segurança Social começou por referir, em entrevistas, foi entre 150 e 200 milhões de euros - este último é o valor que interessa à mutualista. Contudo, tem vindo a fazer menos referências a tais números, admitindo mesmo, nos exemplos que dá, que o valor a aplicar poderá ser abaixo dos 100 milhões de euros.

"O risco para a Santa Casa será mínimo, haverá salvaguardas para que não saia prejudicada."
As condições
Além da avaliação do Haitong à Caixa Económica Montepio Geral, para a definição do seu preço, a Santa Casa pediu ao seu auditor para analisar as repercussões do investimento no seu balanço. Serão, aí, definidos os possíveis níveis de investimento e de participações a serem adquiridas. Havendo investimento, há uma garantia para o provedor: "a de que o risco para a Santa Casa será mínimo, que haverá salvaguardas, que a Santa Casa não [sairá] prejudicada". Edmundo Martinho não especificou que condições serão essas, mas nas suas declarações públicas já assumiu que quer ter uma palavra determinante na gestão do Montepio, incluindo na nomeação de membros do conselho de administração.

"As decisões finais são sempre da responsabilidade da Santa Casa."
A Luz Verde do Governo
A Misericórdia decide se entra ou não no Montepio, mas o Governo tem de dar "luz verde" ao negócio, segundo o provedor da Santa Casa. O Executivo já se mostrou favorável ao investimento na caixa económica. Mesmo assim, dentro dos próprios órgãos da Santa Casa, o Executivo tem peso. A mesa e o provedor são nomeados pelo Governo, e, dos 10 membros do conselho institucional, cinco são por indicação governamental. O conselho de auditoria, o órgão de fiscalização, é todo nomeado pelo Governo.

"Nós também temos dúvidas. Se não tivéssemos dúvidas, já teríamos decidido."
As avaliações
Para o provedor, a entrada da Santa Casa no Montepio traz vantagens para as duas entidades. Essa não é uma preocupação. As dúvidas passam pela forma como se pode concretizar o investimento na caixa económica. Há um limite: 10% do capital. E um parecer, não vinculativo, da Santa Casa também diz que não deve investir mais de 10% do seu activo (menos de 75 milhões de euros). Para estudar a operação, o Haitong avalia o Montepio e a auditora da Santa Casa analisa as repercussões do negócio.