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Ambiente é risco para a maioria das cotadas do PSI

Os riscos ambientais são considerados uma ameaça por 12 das 18 cotadas do PSI-20. Entre as exceções, estes riscos são vistos como uma oportunidade ou vão passar a ser referidos em 2020.

Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 17 de Junho de 2020 às 11:25
Os riscos ambientais já marcam presença frequente nos relatórios e contas das cotadas do PSI-20. INA FASSBENDER/REUTERS
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12 das 18 cotadas do PSI-20 mencionam nos relatórios e contas as "alterações climáticas" ou "riscos ambientais" na lista dos riscos que podem abalar o negócio da empresa.

Nos, Altri, Sonae, Novabase, BCP e Pharol. Estas são as seis cotadas do PSI-20 que não referem o meio ambiente como uma ameaça à atividade. A menção ou não destes riscos fará sentido tendo em conta os diferentes setores de atividade, reconhecem os analistas, mas, ao mesmo tempo, apontam a crescente relevância destes fatores.

"O impacto financeiro provocado por alterações climáticas e pelos riscos ambientais nas empresas do PSI-20 será sempre indireto, na medida em que serão os próprios consumidores e investidores que penalizarão ou premiarão comportamentos mais ou menos verdes", assinala André Pires, analista da XTB. Esta visão é completada por Paulo Rosa, do Banco Carregosa: "Os investidores tenderão a responder a súbitas mudanças nas políticas públicas e mudar para ativos mais socialmente responsáveis."

Entre os grupos cuja atividade está mais vulnerável às alterações climáticas encontra-se, concordam ambos os analistas, o setor energético - sobretudo no que toca a petrolíferas e refinarias como a Galp, tendo em conta a "tendência verde" que se vive no mercado, que vai ditar a transição dos hidrocarbonetos para as fontes renováveis. A Galp reconhece na respetiva análise de risco que as "catástrofes naturais" e "alterações climáticas", entre outros fatores, podem afetar negativamente o preço dos ativos e os resultados.

Além deste tipo de empresas, também "grandes indústrias como a Navigator, Altri, Mota-Engil poderão ver-se penalizadas pelos níveis de poluição", diz a XTB. Entre estas entidades, a Altri é a única que não contempla o risco ambiental no Relatório e Contas, mas, questionada pelo Negócios, a empresa ressalva que o Relatório de Sustentabilidade contém uma matriz na qual é aferida a materialidade dos temas de sustentabilidade para a respetiva atividade. "As alterações climáticas terão necessariamente impacto em todas as atividades" e "poderão materializar-se com maior intensidade no Risco Florestal", reconhece a empresa.

Contudo, atendendo a que apenas 10% da energia utilizada na produção provém de combustíveis fósseis, "existe um risco relevante mas muito mais baixo do que o risco de outras indústrias que dependem quase em exclusivo" destes combustíveis, assinala a Altri.

A suportar a visão de que os fatores ambientais não representam apenas riscos para esta atividade, o Banco Carregosa aponta que "a política de ‘menos plástico’ a nível mundial, muitas vezes substituído pelo papel, poderá impulsionar as vendas das ‘pasteiras’ e papeleiras nacionais".

Por fim, as retalhistas são mencionadas pela mesma casa de investimento na medida em que "estão empenhadas" na diminuição da pegada de carbono, na redução do uso de plástico ou na escolha de fornecedores "mais amigos do ambiente". A Jerónimo Martins inclui os riscos ambientais entre os mais relevantes, o que não se passa com a Sonae, que os deixa de fora da tabela de riscos críticos. Esta empresa refere, contudo, a criação de uma equipa dedicada a determinar a exposição dos negócios aos riscos e às oportunidades associadas às alterações climáticas. Ao Negócios, a empresa explica que "os riscos associados às alterações climáticas têm vindo a ser identificados pelo grupo já há alguns anos" e que "têm ganho uma maior importância na matriz de risco da Sonae, sendo provável que, no exercício em curso para 2020, integrem o grupo de riscos críticos do grupo".

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O "termómetro" do risco de crédito

A Moody’s separa o tipo de risco a que a dívida de diferentes setores está sujeita em quatro categorias diferentes. Estas descem desde o risco elevado ao baixo risco.

Risco elevado - Imediato
Aqui incluem-se os setores que já sentem "implicações significativas no crédito" e nos quais um número substancial de emitentes sofreu mudanças ao nível da avaliação da dívida ou vai sofrê-las dentro de três anos. A Moody’s prevê que o modelo de negócio não é compatível com a regulação. Energéticas e "utilities", assim como a indústria do carvão, são exemplos.

Risco Elevado - Emergente
Para os setores neste grupo, caso não sejam tomadas medidas, é provável que dentro de três a cinco anos surjam na categoria de maior risco e vejam afetada a qualidade do crédito. Contudo, há uma maior capacidade de adaptação e maior margem temporal para tal. São exemplo os fabricantes automóveis ou a indústria química.

Risco moderado
Neste patamar, a exposição aos riscos ambientais é "gerível". Estes podem interferir com a qualidade do crédito dentro de três a cinco anos mas há tempo para desenvolver soluções ou de diluir o impacto dos investimentos necessários. Estão mais de 10 biliões de dólares em jogo, em setores como as companhias aéreas ou as papeleiras.

Risco baixo
Esta categoria corresponde a mais de 62 biliões de dívida. A exposição ao ambiente não é provável que se materialize em quaisquer consequências num horizonte de sete anos. Válido para os bens de consumo e banca. 

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