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Portugal tem condições “para estar na linha da frente” nas eólicas offshore

A entrada de uma nova joint-venture no país pretende contribuir para aumentar a capacidade de renováveis instalada e criar milhares de empregos nas zonas norte e centro do país.

Sónia Santos Dias 20 de Setembro de 2022 às 11:23
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Com um leilão de espaço eólico offshore com capacidade até 8GW previsto para a primavera de 2023, Portugal está a despertar interesse internacional nesta área das energias renováveis. "Portugal tem condições para estar na linha da frente e para acompanhar o pelotão" neste mercado, disse António Sarmento, presidente do WavEC Offshore Renewables, à margem da apresentação da IberBlueWind, uma nova joint-venture especializada no desenvolvimento de parques eólicos offshore flutuantes, ontem em Madrid. Contudo, a liderança na Europa caberá a países como França ou o Reino Unido que têm metas para instalar, até 2030, 50GW e 20GW, respetivamente. "São países que têm também uma cadeia industrial mais forte e uma penetração de energia eólica assente no fundo muito grande".

Contudo, Portugal tem uma grande Zona Económica Exclusiva com dimensão 18 vezes superior à área territorial, que poderá vir a estender-se até 40 vezes mais, o que poderá vir a ditar novas regras no futuro: "Nós estamos numa fase inicial do crescimento da energia eólica, que se desenvolve tanto quanto possível próximo da costa, por questões relativas à capacidade de exportar essa energia para terra. Mas não é impossível que no futuro se venham a desenhar ilhas artificiais no meio do oceano e arranjar outras formas de transportar essa energia para terra. Mas isso num horizonte longínquo e não num horizonte a 10 anos", salienta António Sarmento.

Por outro lado, Portugal tem atualmente de resolver um grande desafio que se prende com a capacidade de a rede elétrica nacional receber energia das eólicas offshore. "Temos uma rede elétrica que não está capacitada para absorver toda a energia. Portanto, vamos ter que fazer um grande esforço no reforço da rede elétrica e isso é um elemento de desenvolvimento que pode trazer alguns atrasos na implementação dos projetos", salienta o especialista em energias renováveis marinhas. António Sarmento destaca ainda que "se for necessário lançar novas redes de muita alta tensão em terra, isso tem procedimentos ambientais que são altamente exigentes e muitas vezes atrasam até por questões que têm a ver com as populações que não aceitam essa situação".

Atualmente, Portugal é o 5º país da Europa com maior peso das energias renováveis no mix energético (Espanha é o 8º), sendo que ambos os países ambicionam atingir os 100% de energias renováveis em 2050, conforme dita o Pacto Ecológico Europeu.

É neste contexto que a nova joint-venture, composta por duas empresas espanholas e um grupo irlandês, quer apostar em Portugal. A IberBlue Wind quer investir em dois parques eólicos offshore nas zonas norte e centro de Portugal e em mais dois em Espanha, nas zonas da Galiza e Andaluzia. Ao Negócios, Adrián de Andrés, vice-presidente da IberBlue Wind, referiu que o interesse em investir em Portugal prende-se com o facto de o país "estar com uma postura ambiciosa na área das eólicas offshore". Recorde-se que Portugal pretende atingir capacidade de produção até 8GW até 2030 e Espanha ambiciona atingir até 3GB no mesmo período.

A joint-venture prepara-se para se candidatar ao leilão eólico previsto em Portugal para 2023, prevendo construir dois parques eólicos, que dinamizarão as duas regiões referidas em território nacional. Para além da contribuição para aumentar a capacidade de renováveis em Portugal, os projetos criarão também inúmeros empregos nessas regiões, apontou o responsável na apresentação. Tudo dependerá do resultado do leilão, mas a joint-venture já está a montar uma equipa no Porto com 10 pessoas e espera achegar aos 50 postos de trabalho na fase de desenvolvimento. O número de empregos gerados poderá chegar depois, segundo Adrián de Andrés, "às centenas ou milhares de pessoas na fase de construção dos parques eólicos", o que deverá demorar entre sete a oito anos.

Assim, a IberBlue Wind encara o momento atual como único para capitalizar a energia eólica offshore na Península Iberica, não só como uma oportunidade energética, mas também como uma oportunidade económica, "uma vez que ambos os países têm excelentes recursos eólicos, um longo historial em engenharia costeira e obras públicas de primeira classe", salienta Adrián de Andrés.

No caso de Portugal, Adrián de Andrés referiu que a legislação do país "está pronta a proporcionar espaço marítimo exclusivo para a energia eólica, embora seja necessário adaptar o regulamento para estabelecer o procedimento para o leilão destes direitos de exploração".

O vice-presidente da IberBlue Wind relembrou a meta do governo português de produzir 8GW de energia renovável oceânica nos próximos anos, quase o dobro dos 5,6 GW de energia eólica terrestre atualmente gerados, e deixou um apelo ao governo espanhol para ser também "mais ambicioso" no processo de licitação de parques eólicos offshore. A este respeito, declarou que a capacidade de geração destas instalações em Espanha poderia atingir mais de 10GW no futuro, um valor muito superior ao previsto pelo governo espanhol, de 1 a 3GW até 2030.

A nova joint-venture é composta pelo grupo irlandês Simply Blue e as empresas espanholas Proes Consultores e FF New Energy Ventures e clama, com esta junção, capacidade para assumir todas as fases de desenvolvimento de parques eólicos offshore e dinamizar a transição energética essencial rumo à sustentabildiade.


 

A jornalista viajou a Madrid a convite da IberBlue Wind

 

 

 

 

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