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Investidores japoneses compram primeira Obrigação de Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial

Com um prazo a 10 anos, a obrigação vai permitir ao Banco Mundial apoiar países na preservação da biodiversidade e serviços de ecossistema, bem como na erradicação da pobreza desses territórios.

Sónia Santos Dias 21 de Setembro de 2022 às 09:44
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Um conjunto de investidores japoneses, onde se incluem as companhias de seguros de vida Fukoku Mutual Life Insurance Company e Meiji Yasuda Life Insurance Company, adquiriu a primeira Obrigação de Desenvolvimento Sustentável para a Consciencialização dos Esforços de Conservação da Biodiversidade emitida pelo Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), instituição do Banco Mundial, com um valor de 211 milhões de euros e vencimento em setembro de 2032.

Os investidores adquiriram a obrigação para mostrar o seu apoio à abordagem do Banco Mundial para preservar a biodiversidade e os serviços de ecossistema, bem como os esforços para erradicar a pobreza e partilhar a prosperidade de forma sustentável nos países clientes, indica o Banco Mundial em comunicado.

Para Jorge Familiar, vice-presidente e tesoureiro do Banco Mundial, "os investidores têm vindo a integrar cada vez mais critérios de sustentabilidade nas decisões de investimento, e a biodiversidade tornou-se num foco. Estamos gratos aos investidores japoneses por se terem juntado para mostrar o seu apoio aos esforços do Banco Mundial para ajudar os países membros a melhorar a biodiversidade e proteger os serviços de ecossistema como parte das estratégias de crescimento das suas economias e de construção de resiliência para o futuro".

Metade do PIB mundial depende da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas que incluem recursos como água doce e madeira, armazenamento e sequestro de carbono, paisagens naturais que apoiam o turismo, etc. Com um declínio acentuado do capital natural nos últimos 50 anos, pelo menos um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção. Estima-se que são necessários cerca de 700 mil milhões de euros/ano para inverter a perda de biodiversidade e os serviços de ecossistema até 2030.

"O rápido declínio da biodiversidade e da degradação dos ecossistemas tem enormes custos de desenvolvimento, económicos e financeiros. Não podemos desvalorizar a importância de mobilizar mais financiamento, e particularmente financiamento privado, para inverter esta perda. Instrumentos como as Obrigações de Desenvolvimento Sustentável apoiam o financiamento que ajuda a preencher a lacuna de financiamento necessária para aumentar os investimentos positivos para a natureza, ao mesmo tempo que abre caminho a um setor financeiro mais verde que protege a natureza", assinala Juergen Voegele, vice-presidente para o Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial.

O modelo integrado de economia de ecossistemas do Banco Mundial lança luz sobre os riscos de desenvolvimento associados à perda da natureza e ajuda a identificar respostas. Para um dos investidores, Takehiko Watabe, diretor-executivo da Fukoku Mutual, "acreditamos que este investimento que destaca o nosso apoio à conservação da biodiversidade nos ajuda não só a alcançar um benefício financeiro, mas também nos permite contribuir para enfrentar as alterações climáticas, a poluição dos oceanos e alinha-se com a sustentabilidade a longo prazo que procuramos".

Por sua vez, o vice-presidente executivo da Meiji Yasuda, Masao Aratani, destacou que decidiram investir nesta obrigação, pois, "através de investimentos ESG [ambiental, social e governação, na sigla em inglês], promovemos a criação de valor social, abordando questões ambientais e sociais globais e contribuindo para as comunidades locais, incluindo através da revitalização da economia local nacional".

 

 

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