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Miguel Maya: "Devemos criar as condições para que as empresas tenham modelos de negócios resilientes às alterações climáticas"

O presidente da Comissão Executiva do BCP defende que o setor financeiro não deve cortar o financiamento aos seus clientes, deve, sim, ter a capacidade de os ajudar a fazer a descarbonização das suas atividades.

Negócios 21 de Outubro de 2021 às 20:03
Miguel Maya, presidente da Comissão Executiva do BCP
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A sede do Millennium bcp foi o palco da talk "Finanças Sustentáveis – Boas práticas compensam", organizada pelo Jornal de Negócios no âmbito da iniciativa Negócios Sustentabilidade 20|30. Miguel Maya, presidente da Comissão Executiva do BCP, reconhece o sentido de urgência no tratamento de todas as questões que emergem no âmbito da transição climática. "Essa é a nossa missão. Como ser protagonista no momento crítico e singular da transição climática." No seu entender, Portugal não está atrasado em matéria de finanças verdes, reconhece que "ainda há imensa coisa para fazer", mas defende que "também existem avanços".

Vive-se um momento histórico. Há uma clara consciência da dimensão do desafio climático e da importância de mobilizar as pessoas e as instituições para trabalhar em conjunto num desafio que é global. O presidente da Comissão Executiva do BCP diz que os conceitos começam a estar cada vez mais alinhados, o que possibilita uma melhor comunicação entre todos. "É muito importante passar da informação para a ação, para a inovação, e os bancos têm um papel muito importante para ser protagonistas neste processo de transformação. É um papel que não é de A, B, ou C, todos somos protagonistas nesta transformação."

Um dos temas abordados nesta talk foi a função dos reguladores, nomeadamente do Banco Central Europeu (BCE), e a pressa que há em avançar e promover a transformação.

O BCE reviu a sua estratégia e definiu um conjunto de linhas orientadoras que fazem alguma pressão sobre o sistema financeiro, como estabelecer algumas condicionantes à compra de ativos empresariais ou os testes de stress contemplarem choques climáticos. Questionado sobre se é uma dificuldade acrescida ou um desafio introduzir mudanças de fundo no sistema financeiro, Miguel Maya reconhece ser um desafio, mas deixa um aviso. "Estou preocupado com a possibilidade de se confundirem atividades com setores, uma situação que implicaria a exclusão de financiamento a setores que neste momento produzem emissões de CO2 e que necessitam ser apoiados na transição climática. Essas empresas precisam de se financiar para investir na transição de tecnologias poluentes para tecnologias que não poluem, é um processo de mudança que tem de se fazer. Seria um erro crasso que, por questões regulamentares, o sistema financeiro não apoiasse as empresas na transição que têm de fazer. Não é relevante que a empresa seja do setor A, B ou C, o importante é que o investimento seja canalizado para descarbonizar a atividade dessa empresa."

 

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