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Mónica Ferro: “Igualdade de género e inclusão são pilares fundamentais de um mundo mais justo”

Mónica Ferro, diretora da UNFPA em Genebra, ressalta a necessidade de se criar um mundo assente na igualdade e diversidade das pessoas. Para além das questões de direitos humanos, existe um custo associado à desigualdade que tem de ser analisado e discutido.

Sónia Santos Dias 15 de Novembro de 2021 às 15:30
Mónica Ferro, diretora da UNFPA em Genebra
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Na altura em que se realiza a COP26 em Glasgow, na Escócia, Mónica Ferro, diretora do Escritório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Genebra, recorda que o debate sobre a sustentabilidade não é novo. Começou em 1968, quando foi publicado o livro "A Bomba Demográfica", de Paul R. Ehrlich e Anne Ehrlich, que lançou um alerta sobre o facto de a população estar a crescer a um ritmo muito mais acelerado do que os recursos disponíveis para a sustentar. Mónica Ferro falava como keynote speaker na talk "Igualdade e Diversidade - Um mundo mais justo", organizada pelo Jornal de Negócios, a 4 de novembro, naquele que é o segundo ciclo de talks sobre sustentabilidade do jornal.

Neste breve regresso ao passado, recordou também a década de 1990 como aquela em que se realizaram grandes conferências das Nações Unidas, incluindo sobre população e desenvolvimento. Foi a altura em que "se operou uma revolução paradigmática. Nós passámos de números humanos para direitos humanos". Foi uma mudança de paradigma que procura até hoje criar um mundo mais justo para todos: "Um mundo com meios e poder de escolha nas matérias mais fundamentais das nossas vidas. É isso que é estruturante. Um mundo mais justo tem a igualdade de género e a inclusão como pilares fundamentais." E nesta ambição de criar um mundo mais justo, existe um conceito base, a dignidade, que deve estar sempre subjacente. "Construir um mundo com mais dignidade sem deixar ninguém para trás significa falar de direitos humanos, significa falar de paz e segurança, significa falar de desenvolvimento, de saúde, de igualdade de género, significa falar de sustentabilidade, e também de produção e de consumo", referiu.

O valor económico da igualdade

A igualdade e a diversidade são, por isso, temas que interessam a toda a sociedade, ressalta a responsável. "A discussão tem de ser abordada no campo das políticas públicas, tem de ter lugar no setor empresarial e também tem de ter lugar nos grandes fóruns internacionais. De facto, há um valor económico para a igualdade e para a diversidade", salientou.

Na sua intervenção, a diretora da UNFPA recordou o que, em tempos, um CEO de uma multinacional partilhou sobre o interesse de se ter um mundo mais justo, incluindo para os objetivos económicos das empresas: "Ele dizia que vendia champôs, portanto, interessava que as pessoas tivessem acesso a água potável; que vendia cerveja, portanto, interessava que as pessoas tivessem um rendimento digno para comprarem o supérfluo; e que era um grande investidor, portanto, interessava que os países tivessem instituições transparentes."

Porém, mesmo que muitos tenham consciência do valor da igualdade para toda a sociedade, o certo é que são os mais vulneráveis os que têm sido deixados para trás, nomeadamente, mulheres, raparigas, jovens, pessoas com deficiência, pessoas pertencentes a minorias étnicas e pessoas LGBTI, destaca.

Cabe também às empresas cuidar para que os seus colaboradores não sejam vítimas de nenhuma discriminação. Isto é bom para os funcionários, mas também para as empresas. "Tem a ver também com o criar uma imagem da empresa que seja inclusiva para que todas as pessoas se consigam identificar com a missão dessa empresa", nomeadamente grandes talentos, pelo que se trata também "de sensatez económica e de boa gestão de recursos humanos".

Programas de inclusão são assim promotores de empresas mais produtivas. Num mundo cheio de opções, Mónica Ferro faz um paralelo com as nossas escolhas enquanto consumidores. "Nos rótulos dos produtos, incluímos os ingredientes, o lugar de produção, se esse produto está conforme as melhores práticas ambientais, etc. E se tudo isto tem impacto na decisão de consumo, então, porque não incluir dados dos direitos humanos, de políticas de igualdade e universalidade nos rótulos? Um consumidor informado pode decidir alterar o seu padrão de consumo e premiar uma companhia com a qual se identifica, assim como um cidadão pode decidir votar num partido político que lhe ofereça respostas a estas questões. Portanto, não é um valor só tangível no sentido de ser a coisa certa a fazer, porque estamos a falar de uma agenda de desenvolvimento de direitos humanos, é também uma decisão que recolhe frutos de produtividade e de adesão a uma agenda que queremos promover, seja ela política ou corporativa", finaliza.

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