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A cidade em 2030, segundo Nuno Lacasta

“Como é que vamos viver em 2030”, perguntava-se Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, que procurou imaginar como serão as cidades grandes, médias ou pequenas com base numa série de indicadores.

Filipe S. Fernandes 14 de Outubro de 2020 às 14:00
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São sete os pilares em que as cidades do futuro se vão escorar num futuro imaginado a dez anos num exercício de resposta à emergência climática.

Uso de menos água
"Vamos certamente reutilizar mais a água que precisamos, as estações de tratamento de água vão passar a ser fábricas de água que vai ser reintroduzida no consumo. Por isso, vamos captar menos água que também está menos disponível por falta de chuva e de escoamento superficial", afirmou Nuno Lacasta.

Redesenho da mobilidade
Considera que na mobilidade em Portugal se tem um atraso de 20 anos, mas estão a ser dados passos no sentido de uma outra mobilidade. "Vamos precisar de mais material, mais investimentos, melhores interfaces, incluindo mobilidade suave e passes integrados como estes, só para dar alguns exemplos".

Mais separação e mais reciclagem
Segundo Nuno Lacasta, "Portugal tem vindo a marcar passo em termos de políticas de resíduos, na última década, depois de uma primeira fase muito, muito dinâmica". Defende que se tem de aumentar a separação dos resíduos em casa e começar a separar os resíduos orgânicos. "Temos aliás de o fazer, de acordo com metas comunitárias, porque hoje depositamos ainda 33% de resíduos em aterro e só vamos poder depositar no máximo 10% no final desta década."

Digitalização
As ferramentas digitais ajudarão nas decisões como consumidores e como gestores. "Haverá uma gestão preditiva de sistemas para poder decidir mais cedo, e auxiliar na gestão da procura de eletricidade, na mobilidade. No fundo, vamos passar a conseguir a água mais gota a gota, ou a energia, eletrão a eletrão".

Energia
Há duas grandes frentes, que se cruzam em que haverá mudanças significativas na próxima década. A eficiência energética, em que os prédios têm de ter painéis solares a escala como nunca tiveram. Ao preço que hoje se encontram o papel no financiamento é crucial para a sua expansão, afirma Nuno Lacasta. Admite que houve algumas experiências que funcionaram menos bem no passado, mas agora é necessário de ter muito mais painéis solares e água quente solar nos edifícios. Refere que também se tem de aumentar a autoprodução de energia.

Construção
Para Nuno Lacasta tem de haver uma profunda mudança na cadeia de valor de construção e da remodelação urbana. "Tem de ser mais circular, reaproveitar e reutilizar materiais de forma muito mais expressiva. As entidades públicas têm uma relevante nesta mudança e através do poder de compra podem influenciar as cadeias de valor. Temos de aproveitar mais zonas existentes, em vez de estar sempre a reclamar mais território, para se concentrar as zonas urbanas em vez de continuar a expandir".

António Almeida Henriques disse que em sete anos como presidente da Câmara Municipal de Viseu, só fez um edifício novo, que foi uma escola, o restante foi reabilitação. "Tenho procurado utilizar os edifícios que muitas vezes estão espalhados pela cidade e que se querem deitar abaixo para depois se voltar a construir. O que é errado, até porque é mais caro e, do ponto de vista ambiental, deixa muito a desejar."

Adaptação
"Os impactos da mudança do clima são severos, num país como o nosso, particularmente exposto, temos de redesenhar as cidades para efeitos de gestão e prevenção de cheias. Temos de ter muito mais zonas verdes, algumas das quais até servem para fazer atenuar os efeitos de cheia. Se é certo que vamos ter menos chuva, vamos ter com toda a certeza períodos curtos de chuva muito mais intensa e vamos ter finalmente de pensar muito bem no futuro, onde construir", assinalou Nuno Lacasta.
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