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Cidades portuguesas a caminho da sustentabilidade

Lisboa foi Capital Verde Europeia em 2020, Guimaraes quer posicionar-se como Cidade Inteligente, Aveiro criou a Tech City. Aqui e ali surgem projetos inovadores que estão a impulsionar o país para cumprir o 11º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Falta, no entanto, uma estratégia concertada que alavanque todos os municípios nesta transformação.

Sónia Santos Dias 11 de Outubro de 2021 às 15:30
Guimarães recebeu a distinção “100 Cidades Inteligentes” atribuída pela Comissão Europeia
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As smart cities vistas como o novo paradigma urbano estão a levar ao desenvolvimento de soluções que procuram responder aos problemas que as cidades enfrentam atualmente, como as alterações climáticas, a crise económica e a exclusão social.

Em 2015, foi publicada a Estratégia Cidades Sustentáveis 2020, que concretizava as opções estratégicas de desenvolvimento sustentável das cidades, constituindo-se como um quadro de referência, um «documento orientador», para os municípios e outros agentes urbanos em termos de desenvolvimento territorial. Contudo, chegados a 2021, em termos práticos, não se verifica uma linha condutora efetiva de transformação. Algo que o Governo quer mudar, ao se ter comprometido a aprovar a sua Estratégia Nacional de Smart Cities até ao final deste ano. "Ter essa estratégia é fundamental. A temática das smart cities há muito tempo que não tem uma linha orientadora no país e ela é cada vez mais necessária. Com as eleições autárquicas, abre-se um novo ciclo e uma agenda nacional ganha ainda maior relevância. De facto, Portugal tem condições ideias para ser um exportador de soluções de smart cities, pois temos a massa crítica, a capacidade tecnológica, e até incentivos por parte do PRR para que essa agenda seja tornada realidade", refere Miguel Eiras Antunes, partner e líder global de Smart Cities da Deloitte.


Precisamos de ter todas as cidades alinhadas para nos tornarmos numa Smart Nation
Miguel Eiras Antunes, partner e líder global de Smart Cities da Deloitte

Em Portugal, 65% da população vive em cidades, sendo estas responsáveis por 74% das emissões de dióxido de carbono. Valores que reforçam a importância das cidades para a agenda de sustentabilidade nacional. "Uma estratégia nacional é fulcral para o desenvolvimento do país nesta área, portanto precisamos de ter todas as cidades alinhadas para nos tornarmos numa Smart Nation", salienta Eiras Antunes. Nesta linha, destaca seis aspetos-chave a ter em conta numa estratégia nacional: visão integrada das várias dimensões a trabalhar; um modelo de governação mais ágil e transversal; ter e seguir alinhamentos a nível local, regional e nacional; manter o foco na sustentabilidade ambiental, económica e social; desenvolver políticas inclusivas e centradas no cidadão; e envolver todo o ecossistema da sociedade nesta transição, como cidadãos, empresas, academias. ONG, etc.

Cidades portuguesas em transição

Numa transformação altamente complexa, como será a de transformar todos os serviços de uma cidade que precisam de ser mais eficientes e sustentáveis, naturalmente que o caminho é feito a várias velocidades. No panorama nacional, algumas cidades estão a destacar-se pelo esforço de transformarem alguns dos seus serviços em ofertas mais sustentáveis.

É o caso de Lisboa, eleita Capital Verde Europeia em 2020. O título foi atribuído à capital portuguesa por esta ter estabelecido vários objetivos de eficiência energética e neutralidade carbónica em vários serviços da cidade, nomeadamente na energia, água, mobilidade, resíduos e infraestruturas verdes e biodiversidade. Por exemplo, pretende atingir 25% de espaços verdes até 2022 e poupar 10% da água consumida na cidade através da reutilização de água não potável para outros fins. A autarquia lançou também o desafio à cidade para todos assumirem uma agenda de mudança para a presente déca-da, sob o mote ESCOLHE EVOLUIR: 2030 medidas para 2030.

Em 2020, Guimarães recebeu a distinção "100 Cidades Inteligentes" atribuída pela Comissão Europeia. O município quer ser um Laboratório de Futuro e está a trabalhar em projetos transformadores em 12 setores desafiantes para as cidades, nomeadamente na energia, água, mobilidade, futuro do trabalho, habitação, resíduos, etc.

Destacamos também a cidade de Aveiro. A iniciativa Aveiro Tech City pretende utilizar a tecnologia como meio para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e ajudar as entidades de governação a recolher e partilhar informação relevante sobre novas formas de gerir a cidade em áreas como mobilidade, educação, cultura e meio ambiente.

Com o objetivo de se tornar numa smart city no prazo de oito anos, Cascais tem investido no desenvolvimento de soluções que transformem o espaço urbano, através de plataformas de gestão da rede de transportes, disponibilidade dos veículos a circular, gestão energética, redução dos gastos com iluminação, entre outras.

O Porto tem-se focado na mobilidade, na transição energética e em novos produtos ou serviços mais sustentáveis. Entre várias iniciativas, destaca-se o Porto Energy Hub e a aposta nos espaços verdes.

Miguel Eiras Antunes assinala que existem fundos europeus (ex: Next Generation EU, PRR, Quadro financeiro plurianual 2021-2027), que são essenciais para esta transformação. "Não basta o acesso a programas, fundos, mecanismos… é preciso saber como aplicar tudo isto e fazê-lo em Portugal", finaliza.

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