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Como aglomerar 70% da população em cidades em 2050?

Transformar as cidades em aglomerados populacionais sustentáveis é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que a ONU estabeleceu para 2030. Mas com a população mundial a crescer e a pressionar cada vez mais os centros urbanos, como atingir este objetivo? Tornando as cidades mais inteligentes.

Sónia Santos Dias 11 de Outubro de 2021 às 15:00
Vista panorâmica de arranha-céus em Xangai
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Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) indicam que mais de metade da população mundial vive em centros urbanos, valor que deverá chegar aos 60% em 2030 e aos 70% em 2050.

Tal explica-se porque as cidades e as áreas metropolitanas são o motor do crescimento económico, contribuindo para cerca de 60% do PIB global. No entanto, e por causa disto, as cidades também são responsáveis por cerca de 75% das emissões globais de carbono e por mais de 60-80% do consumo de energia, estima a Organização das Nações Unidas (ONU). Portanto, no cumprimento dos objetivos mundiais de descarbonização e de redução da temperatura do planeta, estipulados pelo Acordo de Paris, as cidades têm um papel central e um grande desafio de transformação.

A rápida urbanização que está a acontecer fruto deste aumento populacional está a resultar, sobretudo em África e na Ásia, em infraestruturas e serviços sobrecarregados, poluição do ar e do ambiente agravadas e expansão urbana não planeada. O que vai em total contraciclo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que a ONU estabeleceu para 2030, em que o 11º destes objetivos tem na mira precisamente transformar as cidades e comunidades em espaços sustentáveis.

Assim, num mundo em transição para uma vivência mais verde, social e economicamente mais justa, como transformar estes gigantes polos populacionais, em amplo crescimento, em espaços com menos poluição, que façam uma utilização sustentável dos recursos e que continuem a crescer economicamente proporcionando progresso social? A resposta a este, que é um dos maiores e mais complexos desafios que a humanidade tem de enfrentar, parece estar na transformação das cidades em aglomerados inteligentes, em smart cities.

Smart cities, ecocities

É, portanto, necessário criar cidades que fazem melhor uso dos recursos com menor impacto no ambiente. Mas que também sejam cidades resilientes, inclusivas e competitivas, com vista a gerar empregos para os seus habitantes. No fundo, que proporcionem bem-estar aos cidadãos.

Uma cidade sustentável terá então de ser uma cidade inteligente. Um espaço onde as redes e os serviços tradicionais se tornam mais eficientes. Mas alcançar objetivos desta natureza só é possível com a criação de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias que sustentem todas as peças deste complexo puzzle. Através do desenvolvimento de soluções que promovam um melhor uso dos recursos; a promoção da descarbonização e redução das emissões de CO2; o desenvolvimento de redes de transportes urbanos mais inteligentes e ecológicas; tornando as redes de abastecimento de água e de eliminação de resíduos mais eficientes; gerindo melhor a energia; fomentando a economia circular, etc. A lista de serviços a transformar é um espelho das próprias cidades.

60% do PIB mundial é gerado nas cidades

75% das emissões globais de carbono são produzidas nas cidades

60 a 80% do consumo de energia acontece nas cidades

60% da população mundial viverá em cidades em 2030


Na Europa, o Pacto Ecológico Europeu é o chapéu de desenvolvimento neste caminho de transição económica, social e ambiental até 2050, de onde se desprende um conjunto de políticas e estratégias articuladas. No caso particular das cidades sustentáveis, a Mensagem de Mannheim, resultante da Conferência Europeia de Cidades Sustentáveis, que teve lugar no final de 2020, reforçou um compromisso conjunto dos líderes locais para assegurarem economias locais funcionais e uma sociedade urbana justa que respeite os limites dos recursos do planeta. Pois são as autoridades locais e regionais as responsáveis pela implementação de 70% da legislação da UE, 70% das medidas de mitigação e 90% das medidas de adaptação às alterações climáticas, assim como 65% dos ODS, assinala a Comissão Europeia.

De salientar também a promoção das Capitais Verdes Europeias, que desde 2010 pretende distinguir anualmente uma cidade exemplar em termos de sustentabilidade ambiental, social e económica, impulsionando a compromissos políticos para se pôr a sustentabilidade no centro das políticas locais. Em 2020, o título foi atribuído à cidade de Lisboa, que estabeleceu como objetivo ser neutra em carbono até 2050 e plantar 100 mil árvores ao longo do ano.

O caminho para transformar os aglomerados urbanos em cidades sustentáveis é longo e multissetorial. E os objetivos bastante ambiciosos. Utopia ou realidade?

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