Juros da dívida espanhola em mínimos de 16 meses após subida de rating pela S&P

A decisão da agência Standard & Poor’s de elevar o rating atribuído a Espanha para "A-" está a contribuir para a redução dos juros exigidos pelos investidores no mercado secundário para adquirirem dívida soberana espanhola. A taxa de juro a 10 anos está em mínimos de Novembro de 2016.
Jornal de Negócios
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David Santiago 26 de março de 2018 às 09:41

Os juros associados à dívida pública espanhola seguem em queda generalizada, contrariando a tendência registada na maior parte dos países da Zona Euro. A justificar esta tendência está o facto de, na sexta-feira passada, a agência de notação financeira Standard & Poor’s ter elevado em um nível a classificação atribuída a Espanha de "BBB+" para "A-".

Nesta altura, a taxa de juro associada às obrigações de dívida espanhola no prazo de referência a 10 anos está a recuar 1,4 pontos base para 1,255%, isto depois de esta manhã a "yield" já ter tocado nos 1,240%, o menor valor desde 9 de Novembro de 2016.

A perspectiva de que a S&P iria aumentar o "rating" atribuído à dívida espanhola já tinha contribuído para que nas duas últimas sessões da semana passada os juros a 10 anos tivessem recuado, pelo que esta segunda-feira, 26 de Março, é o terceiro dia consecutivo de queda das "yields" espanholas.

Em menos de duas semanas, a rendibilidade exigida pelos investidores para comparem dívida espanhola com maturidade a 10 anos no mercado secundário recuou de 1,4% para a casa dos 1,2%.

Em Janeiro, a agência Fitch já havia aumentado o "rating" de Espanha, sendo que no próximo dia 13 de Abril será a vez de a Moody’s se pronunciar sobre a dívida pública espanhola.

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O reforço da confiança das agências de notação financeira na dívida espanhola permite aos investidores mais conservadores apostarem nos títulos soberanos espanhóis, o que está de certa forma a compensar a incerteza provocada pelo bloqueio político que se vive na Catalunha, região autonómica que continua a ser governada por Madrid e que corre o risco de ter de realizar novas eleições antecipadas nos próximos meses.
Em sentido inverso seguem os juros associados aos títulos da dívida portuguesa que, no prazo a 10 anos, sobem 1,9 pontos base para 1,740%. O mesmo para as "bunds" germânicas que sobem 0,6 pontos base para 0,533% e para os juros das obrigações italianas a 10 anos que sobem 2,5 pontos base para 1,903% numa altura em que ganha força a possibilidade de acordo de governo entre o Movimento 6 Estrelas de Luigi Di Maio e a Liga Norte de Matteo Salvini. 

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