Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

IMF – Economia britânica contraiu 20.4% em abril - aumenta pressão sobre o BoE

A economia britânica contraiu 20.4% em abril, aumentando a pressão sobre o BoE; Perspetiva dovish da FED gera prudência; Economia dos EUA poderá contrair 6.5% este ano; Aumento nos stocks dos EUA e receios sobre 2ª vaga de Covid-19 pressionam o crude; Perspetiva negativa da FED para a economia dos EUA impulsiona o ouro

  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

Economia britânica contraiu 20.4% em abril, aumenta pressão sobre o BoE

A economia do Reino Unido contraiu a um nível recorde de 20.4% m/m e 24.5% y/y em abril, segundo os dados oficiais que os mercados apontam como sendo "o ponto mais baixo" antes de uma longa e lenta recuperação. Ambas as leituras ficaram abaixo das previsões, já sem precedentes, de uma sondagem da Reuters. Estas leituras representam uma perspetiva bastante negativa para a economia britânica, estando o Banco de Inglaterra e o departamento do Orçamento do país a alertar que o Reino Unido poderá estar a caminho para a recessão mais profunda em três séculos em 2020. É de notar que nas suas mais recentes previsões, a OCDE indicou o RU deverá registar o pior desempenho de entre as economias europeias, prevendo uma contração do PIB de 11.5% este ano. A produção no setor terciário caiu 19.0% m/m em abril, enquanto que a industrial caiu mais de 24% e a construção caiu quase para metade. Todas estas quedas são resultado direto da pandemia do Covid-19. No entanto, o ministro das finanças, Rishi Sunak, revelou que grande parte das retalhistas do país deverão reabrir na próxima semana, sendo este um fator fundamental para a recuperação da economia. Adicionalmente, é importante mencionar que os fracos dados poderão aumentar a pressão sobre o Banco de Inglaterra para que este adote novas medidas para suportar a economia. Este apoio é visto como vital à medida que as perspetivas do Reino Unido pioram.

Tecnicamente, o Eur/Gbp continua a apresentar uma tendência nula para o curto-prazo. Por um lado, ainda não conseguiu afastar de forma significativa os 61.8% de retração de fibonacci (£0.8950), por outro, não realizou qualquer tipo de correção de grande relevância, estando os 50% de retração (£0.88) a continuar a oferecer suporte. Estes fatores, sustentados também pelo sinal praticamente nulo do MACD, sugerem que o par deverá permanecer a consolidar em torno dos níveis atuais no curtíssimo-prazo, sendo necessário afastar um dos limites deste intervalo para se poder verificar uma inversão da tendência.

Perspetiva dovish da FED gera prudência; Economia dos EUA poderá contrair 6.5% este ano

Após a reunião do BCE, na semana passada foi a vez do congénere norte-americano apresentar as suas decisões sobre política monetária. A FED manteve as taxas de juro inalteradas (como já era amplamente esperado). A Reserva Federal revelou que está a planear "anos de apoios extraordinários" e que as taxas diretoras deverão permanecer em torno dos níveis atuais (próximo de 0%) até pelo menos 2022. As autoridades prometeram manter as compras de títulos em andamento pelo menos no ritmo atual de cerca de $80 mM por mês em títulos soberanos e $40 mM por mês em títulos garantidos por agências e hipotecas - níveis que podem ser aumentados mais tarde ou complementados com outras estratégias, reiterando a disponibilidade do Banco de utilizar todas as ferramentas necessárias. Quanto ao estado da economia, a instituição liderada por Jerome Powell antecipa uma contração de 6.5% do PIB este ano, apresentando assim uma perspetiva ainda mais dovish do que aquela apresentada pelo Goldman Sachs, na qual o banco esperava uma contração de 4%. Sobre a taxa de desemprego, a Reserva Federal espera que esta se fixe em 9.3% no final do ano. A postura mais pessimista adotada pelo Banco Central gerou prudência nos investidores, levando estes a abandonar os ativos de risco e a refúgio. Como resultado, o dólar (moeda considerada como ativo de refúgio) ganhou terreno face ao euro no final da semana. Não obstante, as perdas do Eur/Usd foram ligeiras e temporárias, tendo na sexta-feira o par voltado a transacionar acima dos $1.13. Na Europa, também foram reveladas notícias negativas, tendo a produção industrial alemã registado a maior queda desde que há registo em abril (-17.9% m/m).

Tecnicamente, após os ganhos expressivos das últimas semanas, o Eur/Usd aparenta ter estabilizado em torno dos $1.13. Para o curto-prazo a tendência bullish mantém-se, com o MACD a dar sinal de compra. Não obstante, o par começa a perder algum fulgor, o que poderá indicar que já terá atingido máximos de ciclo. Espera-se uma consolidação em torno dos níveis atuais no curtíssimo-prazo, mas, já para o curto-prazo, uma correção não pode ser colocada de parte.

Aumento nos stocks dos EUA e receios sobre 2ª vaga de Covid-19 pressionam o crude

Após 6 semanas consecutivas de ganhos, o crude registou uma variação semanal negativa. Os investidores não ignoraram em grande parte a promessa da OPEP e dos seus aliados de estender os cortes de produção, com uma deterioração do sentimento dos mercados, após a postura dovish adotada pela FED, a condicionar. Para além disto, os preços do ouro negro receberam pressão adicional com um aumento inesperado das reservas norte-americanas de crude, para 5.7 milhões de barris na semana que terminou a 5 de junho, numa altura em que as importações do país também subiram como resultado da chegada do crude comprado pelas refinarias na altura em que a Arábia Saudita inundou o mercado entre março e abril.

Perspetiva negativa da FED para a economia dos EUA impulsiona o ouro

Após as perdas da semana passada, o ouro registou uma semana de ganhos expressivos, como resultado de o aumento da aversão ao risco após a FED ter previsto um longo caminho para a recuperação económica dos EUA – antecipando uma contração económica de 6.5% este ano. Adicionalmente, os receios em torno de um segundo surto de Covid-19, numa altura em que o número de casos nos EUA já superou os 2 milhões também criou algum receio e levou os investidores a apostar em ativos de refúgio.

Tecnicamente, o ouro continua a apresentar uma tendência nula para o curto-prazo, continuando a consolidar no intervalo entre os $1670 e $1750 por barril desde o início de abril. O metal precioso segue a testar o limite superior do referido intervalo. Não obstante, não aparenta possuir a robustez necessária para obter sucesso, sendo esperado que permaneça na lateralização atual, até que consiga afastar algum destes limites.

As análises técnicas aqui publicadas não pretendem, em caso algum, constituir aconselhamento ou uma recomendação de compra e venda de instrumentos financeiros, pelo que os analistas e o Jornal de Negócios não podem ser responsáveis por eventuais perdas ou danos que possam resultar do uso dessas informações. Caso pretenda ver esclarecida alguma dúvida acerca da Análise Técnica, por favor contactar a IMF ou o Jornal de Negócios.

Ver comentários
Saber mais imf euro dólar edp crude ouro petróleo BoE
Mais lidas
Outras Notícias