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IMF – Euro derrapa com desconforto do BCE com o câmbio

Receio de um Brexit sem acordo comercial intensificam-se; Euro derrapa com desconforto do BCE com o câmbio e perspetivas de mais flexibilização monetária; Petróleo regista maior queda semanal desde junho; Valorização do dólar pressiona ouro para queda semanal de 2%

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Receio de um Brexit sem acordo comercial intensificam-se

No início da semana passada, membros do Governo britânico revelaram que a perspetiva de ser atingido um acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia antes do prazo de dezembro eram bastante baixas. Londres indicou que Bruxelas continua a insistir de que ambos devem concordar em tópicos "difíceis" nas negociações, como a ajuda estatal da UE, antes de que qualquer outro desenvolvimento possa ser feito nas restantes aéreas de negociações, incluindo assuntos jurídicos. Esta perspetiva acabou por ser confirmada no final da semana, após o jornal britânico, The Times, ter revelado que os funcionários de alto cargo do gabinete do Primeiro-Ministro, Boris Johnson, veem apenas uma probabilidade de 30% a 40% de que seja atingido um acordo, citando as já referidas regras sobre os auxílios estatais como principal motivo. As negociações devem ser retomadas em Londres esta semana. A UE diz que o RU não pode reter todos os benefícios económicos e comerciais que teve como membro da UE, enquanto que Londres diz que

Bruxelas não está a mostrar flexibilidade suficiente. O insucesso em chegar a um acordo comercial abalaria os mercados financeiros, já que quase um bilião de dólares em comércio, de peças de automóveis e medicamentos a carne e peixe, seriam lançados em turbulência. O Reino Unido quer que a percentagem de cotas de pesca reservadas para navios britânicos nas águas britânicas aumente de cerca de 25% agora para mais de 50%, disse o Times. Destaque também para o JP Morgan, que atribuiu uma probabilidade de um acordo de 30%.

Tecnicamente, após vários meses de consolidação, o Eur/Gbp acabou por quebrar em baixa os 38,2% de retração de fibonacci (£0,8970), abrindo caminho para uma correção. O par começa agora a aproximar-se do suporte dos 50% de retração (£0,884), que poderá amparar a descida do par.


Euro derrapa com desconforto do BCE com o câmbio

Após ter falhado o teste à importante resistência psicológica dos $1,20, o euro acabou por registar a maior série de quedas desde junho, tendo cotando já abaixo de $1,18. Isto ocorre após membros do BCE expressarem receios sobre a robustez da moeda, com o economista-chefe, Philip Lane, a indicar que o avanço da moeda alimenta as previsões do Banco e o cenário da política monetária. O Financial Times relatou mais tarde que os membros do Banco Central estavam preocupados com a possibilidade de os ganhos do euro afetarem as exportações e pressionarem a inflação em baixa. O BCE tem apresentado relutância em cortar as taxas para território ainda mais negativo, mas pode ver-se sob mais pressão para o fazer, ou implementar novos estímulos, se o euro "forte" se tornar numa preocupação maior. Na ZE, os preços no consumidor entraram em deflação pela primeira vez desde 2016 em agosto, recuando 0,2% y/y, face ao acréscimo de 0,2% previsto. Nos EUA, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA indicou às autoridades de saúde dos vários Estados para se prepararem para distribuir uma potencial vacina contra o novo coronavírus já no final de outubro. Já o final da semana ficou marcado pela divulgação do relatório de emprego dos EUA (Nonfarm Payrolls) relativos ao mês de agosto, tendo os resultados sido um pouco contraditórios. Por um lado, o número de postos de trabalho criados recuou de 1.734 milhões em julho para 1.371M no mês passado, ficando ainda abaixo dos 1.4 esperados. Por outro lado, este foi o 4º mês consecutivo de crescimento, oferecendo esperança de que a economia possa continuar a recuperar, ainda que a um ritmo mais moderado, apesar da persistente pandemia e do impasse de Washington sobre mais ajuda governamental para os desempregados e pequenas empresas. Adicionalmente, a taxa de desemprego caiu de 10,2% para 8,4%, suportando a perspetiva da continuidade da recuperação económica.

Tecnicamente, o Eur/Usd segue a lateralizar entre os $1,17 e $1,20. Recentemente o par ainda testou o limite superior, mas acabou por não obter sucesso. Os indicadores técnicos, nomeadamente o MACD, começam a beneficiar ligeiramente o dólar, podendo indicar um teste ao limite inferior deste intervalo no curto-prazo.


Petróleo regista maior queda semanal desde junho

Após os ganhos da semana passada, o crude registou a queda semanal mais expressiva desde junho, recuando mais de 4%. A matéria-prima foi penalizada principalmente pelas perspetivas negativas da procura, com várias regiões mundiais a registarem aumentos expressivos nos casos de Covid-19. A valorização do dólar ao longo da semana também ajudou a contribuir para as quedas da matéria-prima. Numa nota mais positiva, os inventários norte-americanos diminuíram em 9,4 milhões de barris na semana passada, para 498,4 M de barris, uma queda mais forte do que a antecipada, oferecendo algum suporte aos preços.

A nível técnico continuam a não existirem novidades a reportar sobre o crude. A matéria-prima tem tentando afastar-se dos $40 nas últimas semanas, mas ainda não conseguiu obter sucesso. O MACD tem vindo a intensificar o sinal de venda, o que poderá sinalizar uma correção em baixa no curtíssimo-prazo. Não obstante, as perdas poderão ser temporárias, visto que os $36 tem oferecido amplo suporte ao ouro negro.


Valorização do dólar pressiona ouro para queda semanal de 2%

Após os ganhos da última semana, o ouro volta a registar uma variação semanal negativa, apresentando perdas de cerca de 2%. A valorização que o dólar registou esta semana, assim como os dados robustos da indústria dos EUA, com o PMI da ISM a saltar para 56 pontos, suportaram as expetativas de uma continuação da recuperação económica, diminuindo o pouco a atratividade do ouro como ativo de refúgio. No entanto, é importante mencionar que o contínuo aumento de casos globais de Covid-19 a oferecer algum suporte ao ouro.

Tecnicamente, após ter testado sem sucesso a resistência dos $2000-$2050/onça no último mês, o metal precioso começa a apresentar um movimento de lateralização entre o referido nível e os $1900. No entanto, o MACD começa a apresentar ligeiro sinal de venda, podendo indicar um teste ao nível inferior deste intervalo no curto-prazo.



As análises técnicas aqui publicadas não pretendem, em caso algum, constituir aconselhamento ou uma recomendação de compra e venda de instrumentos financeiros, pelo que os analistas e o Jornal de Negócios não podem ser responsáveis por eventuais perdas ou danos que possam resultar do uso dessas informações. Caso pretenda ver esclarecida alguma dúvida acerca da Análise Técnica, por favor contactar a IMF ou o Jornal de Negócios.
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