Trading Na bolsa, a idade conta

Na bolsa, a idade conta

A queda da libra foi agravada pela falta de conhecimento de traders mais jovens, revela um relatório do BIS. O reduzido número de séniores para lidar com as crises está a tornar-se um problema em Wall Street.
Na bolsa, a idade conta
Reuters
Mariana Adam 21 de março de 2017 às 12:40

Os cortes de pessoal que afectaram Wall Sreet afastaram grande parte dos traders mais velhos, por regra mais experientes, e deixaram algumas das grandes decisões nas mãos de júniores com pouca experiência. Na semana passada, o Bank for International Settlements (BIS) - organização responsável pela supervisão bancária – veio provar que não se trata apenas de uma ‘guerra’ de gerações e que os mais novos estão mesmo a fazer asneira.


O BIS culpa parcialmente os traders "novatos" – juntamente com a queda do volume de negócios e a crescente proliferação do trading electrónico – pelos 'flash crashes' que perturbaram o mercado cambial nos últimos dois anos. Num relatório divulgado esta terça-feira, 21 de Março, pela Bloomberg, o supervisor revela um caso concreto que classifica de preocupante: no passado mês de Outubro a libra afundou 9%, em poucos de minutos, nas primeiras horas de negociação dos mercados asiáticos, uma queda que foi "amplificada" pelo limitado conhecimento dos "menos experientes" para escolher o algoritmo correcto, lê-se no referido relatório.


"Se há uma escassez de séniores, há uma escassez de conhecimento", resume Keith Underwood, um conceituado e experiente trader, que após 25 anos de carreira abriu a sua própria empresa, que inclui clientes como os bancos Lloyds e Standard Chartered. Franz Gutwenger, que há mais de duas décadas faz recrutamento de traders nas áreas de câmbio, diz mesmo que é "perigoso" ter os mais novatos a lidar com situações de crise. 

Os menos experientes podem entrar em pânico e pensar que "o mundo está a acabar" perante algumas crises de mercado, defende Michael Melvin, professor na Universidade da Califórnia e ex-director da BlackRock. "Para muitos dos trabalhos, no dia-a-dia, não há problema. Mas quando surgem acontecimentos extraordinários é realmente fulcral ter algumas pessoas mais velhas e experientes, e são estes séniores que devem lidar com as situações mais críticas", conclui Melvin.


‘Juniorização de Wall Street’

O fenómeno de ter pessoas cada vez mais jovens a ocupar as salas de mercados já tem uma nome: "juniorização de Wall Street" e afectou em especial o mercado cambial. Os 12 maiores bancos mundiais cortaram em 25% o pessoal de 'front-office' no mercado de divisas, revela a Bloomberg com base em dados da consultora londrina Coalition Development.

 

Estes cortes de pessoal coincidiram com a automação do mercado, que reduziu as necessidades de pessoal e que gerou uma pequena geração de traders cuja função é negociar perante os algoritmos disponibilizados pelas máquinas.

 

A Coalition refere ainda que por cada director-gerente com cerca de 10 anos ou mais de experiência no activo, existem sete funcionários menos experientes no mercado cambial. Um número que disparou nos últimos cinco anos, altura em que esta proporção era de um para quatro.


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