Trading Um buraco de 100 mil milhões pode ser o maior aliado do "rally" nas bolsas europeias

Um buraco de 100 mil milhões pode ser o maior aliado do "rally" nas bolsas europeias

Apesar de as bolsas europeias estarem a subir 20% este ano, os investidores têm vindo a retirar dinheiro dos fundos focados nos ativos europeus de forma quase continua desde março de 2018. A tendência começou a alterar-se a partir de meados de outubro.
Bloomberg
Bloomberg 14 de novembro de 2019 às 14:40

As bolsas europeias estão a negociar perto de máximos de quatro anos e os indicadores técnicos sugerem que o "rally" das ações pode ter ido longe demais. Mas também há sinais que favorecem um mercado que foi ignorado pelos investidores durante grande parte deste ano.

 

Impulsionado pelo otimismo com as negociações comerciais, o índice europeu Stoxx600 obteve um desempenho superior ao norte-americano S&P500 este outono e está agora a caminho do melhor ano numa década. Contudo, mesmo os ganhos mais recentes parecem modestos em relação aos 100 mil milhões de dólares que saíram dos fundos de investimento em ações europeias este ano.

 

A aposta na Europa foi muito fraca este ano, "com os investidores a manterem uma postura prudente devido aos elevados riscos políticos", disse Stefano Zoffoli, da gestora de ativos suíça Swisscanto Invest.

        

"Isto é algo que pode sustentar os mercados [europeus] nos próximos três a seis meses", acrescentou o responsável pela firma que tem 160 mil milhões de dólares em ativos sob gestão.


 

Apesar de as bolsas europeias estarem a subir 20% este ano, os investidores têm vindo a retirar dinheiro dos fundos focados nos ativos europeus de forma quase continua desde março de 2018. A tendência começou a alterar-se a partir de meados de outubro devido ao otimismo com um acordo no Brexit e uma maior aposta em ações de valor. Desde então as subscrições líquidas nos fundos europeus totalizaram 3,3 mil milhões de dólares.

 

Durante vários meses o inquérito do Bank of America a gestores de fundos mostrava que as ações europeias eram uma das classes de ativos menos apetecíveis. Em novembro, o peso recomendado das ações europeias nas carteiras dos fundos atingiu o nível mais elevado desde agosto de 2018.  

 

As avaliações também continuam a favor da Europa, salienta Manish Kabra, do Bank of America. O especialista do banco norte-americano alerta que o diferencial entre as rendibilidades das ações e obrigações na Europa permanece perto de máximos de 100 anos e as ações europeias estão a transacionar em mínimos de 50 anos quando comparado o desempenho das pares globais. Tendo em conta estes indicadores, o Bank of America tem uma recomendação de "overweight" (ponderação na carteira superior ao "benchmark") para as ações europeias e britânicas.

 

"A Europa está cheia de fundamentais extremos", disse Kabra, que é o especialista do Bank of America para o mercado de ações europeias. "Estamos a recomendar posições longas [compradoras] e atenção às reversões técnicas, pelo menos até as ‘yields’ das obrigações alemãs continuarem em terreno negativo".

 

O regresso da entrada de dinheiro nos fundos de investimento é uma tendência global que se verifica há algumas semanas, refere o Citigroup. "Novembro está a caminho de ser o primeiro mês de subscrições líquidas positivas nos fundos de ações dos mercados desenvolvidos e emergentes no espaço de dois anos", escreveu o banco numa nota de research.

 

Alguns analistas recomendam que os investidores realizem mais-valias. "É altura de fazer algum lucro e proteger as carteiras da volatilidade", disse Alberto Tocchio, chief investment officer da Colombo Wealth. "Os mercados estão muito aquecidos", mas "há pouca margem para surpresas negativas a partir destes níveis".

 

Os indicadores técnicos fizeram soar os alarmes, pois na terça-feira o RSI a 14 dias do Stoxx600 superou os 70, o nível que alguns analistas veem como sinal de um ativo caro e à beira de corrigir.

 



O abrandamento da economia alemã, as tensões políticas no Reino Unido e o risco de uma nova escalada na guerra comercial entre a China e os Estados Unidos representam uma ameaça à renovada popularidade das ações europeias. Contudo, os dados de quarta-feira mostram que a indústria da Zona Euro subiu inesperadamente pelo segundo mês e esta quinta-feira soube-se que a economia alemã escapou a uma entrada em recessão técnica que era dada como quase certa. Sinais benignos que mostram que a economia europeia poderá estar a emergir de um mau período.

 

Os analistas do JPMorgan subiram a recomendação das ações europeias para "overweight" no final de setembro e estão a recomendar aos clientes que aproveitem as correções para reforçar.

 

"Muitos querem anular este movimento" de alta nas ações europeias, mas recomendamos a aposta contrária, acreditando na melhoria" dos indicadores da indústria europeia nos próximos meses e volumes de investimento "significativos" nos fundos de investimento europeus, refere Mislav Matejka, do JPMorgan.

 

Pelo menos por agora, o mercado de ações que recentemente tinha muito poucos adeptos permanece um lugar de otimismo para os gestores de ativos.

 

"A nossa avaliação continua a favorecer as ações europeias", diz Andrew Cole, da Pictet Asset Management em Londres. "As expectativas de crescimento na Europa são baixas, por isso com espaço para serem facilmente superadas, devido aos estímulos orçamentais e fiscais".

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