Transformação Digital Levar a internet ao resto do mundo é um plano até 2025

Levar a internet ao resto do mundo é um plano até 2025

Metade da população mundial continua sem acesso à internet. As Nações Unidas garantiram um compromisso para mudar esta realidade, que é também uma oportunidade de negócio para novos serviços digitais.
Levar a internet ao resto do mundo é um plano até 2025
Negócios 22 de fevereiro de 2018 às 12:22

A última cimeira do Fórum Económico Mundial foi palco para a apresentação de sete medidas, que integram um plano ambicioso para levar a internet a toda a população mundial e com isso dar escala à economia digital.

Estimativas da Comissão para a Banda Larga e Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que lidera a iniciativa Connecting the Other Half, indicam que em 2019 estarão ligadas à internet 3,8 mil milhões de pessoas, cerca de 50% da população mundial.

 

Para ligar a outra metade à grande rede foi definido um conjunto de medidas concretas, que são também oportunidades de negócio para as empresas que criam serviços digitais e ajudam a transformar modelos de negócio.

 

Vão potenciar o desenvolvimento e a adopção de novas soluções, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento, muitos dos quais alvo dos esforços de internacionalização das companhias portuguesas. São metas que querem dar escala ao universo de utilizadores de serviços digitais um pouco por todo o mundo e promover a literacia digital que, sendo uma das metas concretas das Nações Unidas, é também um objectivo inerente a qualquer um dos restantes pontos.    

 

Pretende-se assegurar que até 2025 todos os países onde o acesso à internet ainda não é generalizado adoptem uma estratégia nacional para a banda larga, ou incluam a internet na sua definição de serviço universal.

 

No universo das empresas, a meta é reduzir a metade a taxa de micro, pequenas e médias empresas que não usam a internet, um objectivo ambicioso, tendo em conta que nalguns sectores da economia, em alguns países, menos de 20% das empresas usam a internet nas suas actividades diárias. Ainda assim, conta com o compromisso dos líderes mundiais que marcaram presença em Davos.

 

Outro objectivo a alcançar nos próximos sete anos, que, mais uma vez, não é apenas uma oportunidade para diminuir o fosso digital entre países, mas também para criar novos serviços que o facilitem, é garantir que em 2025 40% da população mundial tira partido de serviços financeiros digitais.

Os serviços financeiros digitais são encarados como um dos grandes dinamizadores da economia digital. Em muitos países têm funcionado como uma porta de entrada neste universo e o que se pretende é continuar a replicar o exemplo, dando-lhe consistência.

 

Em África, por exemplo, há vários anos que o telemóvel é usado para fazer pagamentos por milhões de utilizadores, como forma de colmatar as limitações à utilização de sistemas de pagamento banais noutras regiões do globo, onde existem redes de comunicações mais disseminadas e diversificadas.

 

As contas da agência revelam, ainda assim, que dois mil milhões de pessoas em todo o mundo continuam hoje sem acesso a contas bancárias, sendo que 1,6 mil milhões destes utilizadores têm acesso a um telefone móvel. O número confirma o potencial para o surgimento de novas soluções neste domínio, que ajudem a levar serviços básicos essenciais a muitos milhões de utilizadores que ainda não os têm.  

 

A Comissão pediu e garantiu ainda um compromisso dos países reunidos em Davos, sobretudo daqueles onde as taxas de utilização da internet ainda são reduzidas, relativamente aos preços do acesso à internet nestas geografias. Foi definido um teto máximo para os tarifários associados a serviços básicos, que deve ser inferior a 2% do rendimento mensal bruto per capita no país.    

 

No domínio das competências, a iniciativa preconiza que três quintos da população mundial, entre jovens e adultos, tenha atingido um nível robusto de competências digitais daqui a sete anos. Na mesma altura, as taxas de penetração de internet devem ter alcançado os 75% a nível global. Para os países em vias de desenvolvimento a meta foi fixada nos 65% e para os países menos desenvolvidos estabeleceu-se nos 35%.

 

As Nações Unidas sublinham ainda que para atingir os objectivos traçados é necessário que homens e mulheres tenham acesso igual aos serviços digitais e para sublinhar a importância deste aspecto pedem que até 2025 a igualdade de género seja um objectivo atingido, não só enquanto meta em si mas também integrado em cada um dos restantes seis pontos que concretizam as metas da iniciativa.