Gestão & Administração Não leve trabalho para casa

Não leve trabalho para casa

Cinco ideias a ter em conta pelo direito a desligar.
Não leve trabalho para casa
C-Studio 22 de março de 2017 às 10:40

A mobilidade é uma das "buzzwords" da sociedade actual. Ela trouxe consigo enormes vantagens, mas também algumas responsabilidades, fruto de uma constante evolução tecnológica que coloca nas mãos dos utilizadores uma vasta panóplia de equipamentos e, ao mesmo tempo, disponibiliza condições de acesso aos dados e à informação cada vez mais eficazes.

 

A tecnologia 5G, que já começa a dar os primeiros sinais de vida em testes e projectos (cada vez) mais concretos, levados a cabo pelos fabricantes e operadores do sector, vem assegurar aos seus utilizadores um acesso ainda mais facilitado e mais rápido à informação, quer se trate de dados lúdicos quer também da vertente profissional.

 

É o conceito "anyplace, anywhere, anytime" levado ao seu limite… ou talvez não, já que na realidade o desenvolvimento tecnológico surpreende-nos a cada minuto que passa.

 

Do lado das empresas (e da sua relação com os funcionários), este tipo de realidade tem pontos positivos, mas, igualmente, outros menos bons e, a bem da verdade, a ideia de que o trabalho não termina mesmo quando saímos do escritório tem vindo a ganhar forma e a dominar, discreta, mas eficazmente, o inconsciente de cada um de nós. Motivos mais do que suficientes para atentar nas ideias que se seguem:



1. Casa também é sinónimo de trabalho? Olhe que não…

As novas plataformas tecnológicas permitem ao trabalhador desenvolver as suas funções a partir de qualquer lugar e a qualquer hora do dia ou da noite. Não raras vezes, muitos profissionais levam "trabalho para casa" e acedem a partir dos seus equipamentos móveis à rede da empresa, elaborando ou actualizando relatórios e projectos enquanto comem, dando ordens de compra ou de pagamento antes de irem dormir, introduzindo despesas ou outros dados no seu histórico de recursos humanos durante o final de semana. O lar passou a ser encarado como uma extensão do trabalho, fortemente suportada nas novas tecnologias. Mas será que deveria ser mesmo assim?


 

2. "Always on"

A possibilidade de os funcionários estarem sempre conectados pode ser vista como uma mais-valia, mas, igualmente, como um problema. Dados de vários estudos, realizados nos últimos anos, dão conta de que mais de metade dos trabalhadores actuais não conseguem "desligar-se" do emprego por completo, no final de um dia de trabalho, recorrendo frequentemente aos seus portáteis, smartphones ou tablets para "continuar" a jornada.

Os dados falam por si: há já três anos, um estudo realizado no Reino Unido e que reuniu cerca de 2.000 fisioterapeutas indicava que a média de horas extra no trabalho, na altura, era de duas por dia, tudo por causa dos equipamentos móveis.


 

3. Um emprego das 9h às 17h

O conceito de emprego das 9h às 17h há muito que se perdeu, mas, na verdade, esta é uma ideia que começa agora a ganhar nova força, com vários especialistas a garantirem que ele estará novamente na moda nos próximos tempos.

Contas feitas, deixar o trabalho terminado dentro do horário estipulado e sair para sua casa sem nada mais que o preocupe poderá, a breve trecho, deixar de ser visto como sinal de preguiça da parte do trabalhador. De resto, o segredo está em tirar o melhor partido possível das tecnologias que permitem a cada um de nós desempenhar as nossas tarefas em tempo útil.


 

4. Pelo direito a desligar

Atentos a esta realidade, são já vários os países pelo mundo fora que começam a defender e a colocar em prática um novo conceito: o direito a desligar. França tornou-se o primeiro país a introduzir legalmente a norma que reconhece aos seus trabalhadores esse direito, permitindo-lhes ficar offline, sem atender telefonemas ou responder a e-mails profissionais fora do seu horário de trabalho. Espanha pode muito bem ser o país que se segue e, em Portugal o tema está a ser acompanhado pelo Governo que prefere, para já, que os termos sejam discutidos entre empresas e sindicatos.



5. Obrigados a parar

E se, ainda assim, o leitor é daqueles funcionários que não quer mesmo parar, então o melhor é não se candidatar a algumas das empresas que levam este tema muito a sério. É o caso, por exemplo, da filial da Google na Irlanda que, segundo o Economist, confisca todos os computadores e equipamentos electrónicos quando os seus funcionários deixam o escritório. Também a Daimler está atenta ao que se passa neste campo, tendo optado por apagar todos os e-mails recebidos quando algum dos seus funcionários se encontra de férias.


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