Óscares. Quem vos leva para casa?

Falta muito pouco para matar a curiosidade. Os Óscares voltam já este domingo, com nove candidatos a Melhor Filme. Histórias reais e dramas da comunidade afro-americana estão em maioria.
Reuters
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Wilson Ledo 25 de fevereiro de 2017 às 15:00

La La Land
Um hino aos sonhos. Música, dança, muita cor. Um músico de jazz apaixona-se por uma aspirante a actriz, numa Hollywood capaz de destruir os sonhos dos mais talentosos. A câmara de Damien Chazelle mexe-se como se fosse maleável, a luz desmonta-se para mostrar o essencial. É o mais nomeado este ano.
Manchester by the sea

A tristeza filmada com alma. Kenneth Lonergan olha com simplicidade e pureza. Um homem vê-se obrigado a tomar conta do sobrinho órfão. As cinzas de um passado difícil impregnam-se no ar. Brilhante interpretação de Casey Affleck, também ele um mar azul que conduz ao infinito.
Moonlight

A inteligência de uma tripla minoria sem vestígio de preconceito. Contido, de poucas palavras, a mostrar o melhor do cinema de autor. Um miúdo amedrontado, Little, transforma-se num homem. Processo em três fases por Barry Jenkins, reflectindo a descoberta do corpo e do carácter.
Lion

Filme-bandeira para um problema. Na Índia, um menino de cinco anos perde-se. Como não sabe explicar onde está a família, acaba adoptado na Austrália. Garth Davis conta uma história real e coloca Dev Patel, repleto de dúvidas, entre dois possíveis rumos de vida. Em ambos, uma casa e amor incondicional.
Vedações

Teatralmente belo. Denzel Washington realiza e protagoniza a história de um pai afro-americano que, com atitude austera e amigável sorriso, luta para criar a sua família. As palavras, memórias e sonhos surgem a um ritmo acelerado, sem se sair da mesma casa. Impossível não aplaudir a simplicidade de Viola Davis.
O primeiro encontro

Misterioso e angustiante. Doze naves param na Terra. Amy Adams no ponto: frágil, mas determinada na missão de criar um novo código para comunicar com o desconhecido, enquanto os países começam as discordar. A ficção científica num outro patamar por Denis Villeneuve: dentro do humano.
O herói de Hacksaw Ridge

Um raio de esperança no conflito. Mel Gibson recua à Segunda Guerra Mundial para contar a história real de Desmond Doss. Sem pegar numa arma, capaz de salvar vidas. Interpretação sentida de Andrew Garfield entre os planos duros e violentos, repletos de disparos, a que o género já habituou.
Elementos secretos

Garantia de sorriso. Theodore Melfi traz uma história real e positiva: como três mulheres afro-americanas ajudaram a levar a América ao espaço. Numa NASA cheia de regras, superaram a barreira do género e da raça. Mesmo sendo expectável, é impossível não gostar do filme. Pela boa mensagem.
Hell or high water

Os "cowboys" dos tempos modernos. Dois irmãos assaltam várias agências do mesmo banco. Há um forte motivo: salvar o rancho da família, que uma petrolífera quer comprar. David Mackenzie cria um filme envolvente, onde é sempre prazeroso ficar a olhar para os planos do dourado e poeirento Texas.

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