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Rui Pedro Jorge: "A crise e todo o contexto actual pode dar origem a novas ideias"

"Os momentos de crise são desafiantes, mas por vezes difíceis de ultrapassar. Com dedicação e compromisso são ultrapassáveis de forma positiva", afiança o pintor Rui Pedro Jorge.

Bruno Simão/Negócios
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 28 de Março de 2013 às 12:00
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A crise. A crise inibe se por falta de dinheiro for obrigado a meter um projecto na gaveta. Obriga a ser mais contido e premeditado. Não ter como financiar um projecto e experimentar algumas ideias gera desconforto. O desenvolvimento de um projecto normalmente desperta novos pontos de interesse. No entanto, e apesar de inibir, a crise e todo o contexto actual pode dar origem a novas ideias.

A crise manifesta-se de diversas maneiras e em certos momentos acaba por contagiar o meu trabalho. Tenho trabalhos com diferentes níveis de leitura, e alguns fazem referência a uma ideia de crise. A crise pode ser inspiradora, sem a caracterizar de negativa ou positiva. Interessa-me quando se manifesta na paisagem rural e urbana. Por sua causa, a paisagem sofre alterações onde por vezes encontro referências para o trabalho que tenho desenvolvido.

Não, a crise não desmotiva! Neste contexto e relativamente ao meu processo de trabalho posso dizer que sou afectado por dois tipos de crises. Uma que pode tornar menos viável a realização de alguns projectos e que me provoca a necessidade de tentar encontrar soluções que contrariem esta situação. Uma outra que pode ser afectada pela anterior, mas que está relacionada com o próprio processo de trabalho. Na minha abordagem ao trabalho, a dúvida e incerteza estão presentes e são causa/ /efeito.

Os momentos de crise são desafiantes, mas por vezes difíceis de ultrapassar. Com dedicação e compromisso são ultrapassáveis de forma positiva. Por vezes criam novos focos de interesse revelando-se bastante produtivos.

O mais importante são as oportunidades que vão surgindo devido à vontade de trabalhar. Apesar do actual e difícil momento em Portugal, há bastantes ofertas culturais, que são importantes para os jovens artistas e público em geral. Existem alguns apoios dados por algumas instituições através de prémios e bolsas que são fundamentais. O seu desaparecimento devido à crise teria sem dúvida um impacto negativo. Mas, faziam falta ainda mais. O surgimento de mais espaços como ateliers continuam a fazer falta.

Ser jovem artista não é fácil. Mas quem se dedica, trabalha e tenta superar as contrariedades que existem, pode ou não no futuro vir a perder o rótulo de jovem. Afinal ser jovem artista não é muito diferente de ser jovem.

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