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Festivais para todos os gostos, ao virar de cada esquina

No Norte ou no Sul, de Verão ou de Inverno, em espaços abertos ou fechados, mais alternativos ou mais convencionais, de rock, pop, folk ou música portuguesa: há para todos os gostos. São os festivais de música, um mercado que parece escapar à crise económica.

Inês Balreira inesbalreira@negocios.pt 28 de Março de 2013 às 10:00
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De ano para ano, a escolha aumenta e o público responde cada vez melhor aos convites. Na edição do ano passado, o Optimus Alive, que acontece em Algés desde 2007, recebeu 154 mil pessoas durante o fim-de-semana do festival. Por Paredes de Coura passaram, em média diária, 20 mil festivaleiros. Pelo Optimus Primavera Sound, que se realizou pela primeira vez em Portugal em 2012, passaram 23 mil melómanos por dia e os quatro dias do Milhões de Festa registaram 12 mil pessoas.

Os números podem parecer incompreensíveis para os tempos que correm, mas a indústria encara-os com normalidade. Quando questionados sobre os factores que tornam os festivais num negócio potencialmente rentável e com sucesso, os rostos das promotoras são peremptórios ao apontar dois: a possibilidade de passar férias e ver várias bandas a baixo custo.

"Em tempos de crise, as pessoas optam pelo modelo de festival face ao modelo de concerto, que fica bastante mais caro", indica José Barreiro, da Pic Nic, promotora do Optimus Primavera Sound. "Os festivais são uma forma de passar férias baratas", salienta.

"Portugal não parou, ainda não enterrámos o país. Se não houver consumo, não há receita fiscal", diz Álvaro Covões, da promotora Everything Is New, responsável pelo Optimus Alive. "Mas há mais espectadores a ver a Primeira Liga de Futebol do que os 154 mil no Alive", acrescenta.

Crescimento só para nichos de mercado

Apesar da grande afluência do público e de aparecerem mais festivais todos os anos, não haverá muito mais espaço para o mercado crescer, a menos que seja para nichos, traça a indústria. "A nível de festivais ‘mainstream’, já atingimos o limite", diz Joaquim Durães, da editora Lovers & Lollypops, que organiza o Milhões de Festa.

João Carvalho, da Ritmos, produtora do Paredes de Coura, diz mesmo que os festivais têm tido alguma dificuldade em sobreviver. "Realizar o festival tem sido uma luta. Já estivemos para deixar de o fazer há uns anos atrás", desabafa o promotor do festival, cujos custos de organização, ascendem, em média, aos 2,7 milhões.

"O risco que se corre é muito grande. Todos os anos, montar um festival e torná-lo rentável é uma tarefa hercúlea", aponta José Barreiro, da Pic Nic.

Para ajudar na sustentabilidade dos festivais existem as marcas, sem as quais provavelmente muitos já teriam deixado de ser viáveis. Contudo, as opiniões das promotoras quanto aos patrocínios não são consensuais. Para Álvaro Covões, se as marcas deixassem de patrocinar os festivais, os eventos continuariam a ser viáveis, mas "o preço dos bilhetes teria de aumentar". Já o homem da Ritmos considera que "nenhum festival se consegue fazer sem patrocínios".

Um caso de sucesso parece ser o Milhões de Festa que, de ano para ano, sem uma grande marca associada, vê o seu público aumentar. "Até agora não tivemos nenhuma marca que se mostrasse muito interessada no festival. Apesar de poder ser uma benesse, não é essencial à continuidade do festival", assegura Joaquim Durães.

Depois da época "indoor" seguem-se as edições de Verão

Ao contrário do que acontecia há alguns anos, em que os festivais eram realizados, sobretudo, no Verão, hoje o mercado não hiberna e, se não se pode organizar eventos "outdoor", muda-se para espaços fechados.

Depois do Optimus Primavera Club, do Vodafone Mexefest, do Talkfest, do Festival para Gente Sentada ou do SWR Barroselas Metalfest e do Vodafone Warm Up Paredes de Coura, estes últimos a realizar ainda em Abril, a época baixa dos festivais termina, abrindo portas para os acampamentos e festivaleiros de mochila às costas.

As honras de abertura da época alta cabem ao Optimus Primavera Sound. Com edição marcada entre 30 de Maio e 2 de Junho, no Parque da Cidade do Porto, o homólogo português do festival de Barcelona conta com os Blur, My Bloody Valentine, James Blake e Nick Cave como nomes fortes de um cartaz bem recheado.

Rumando mais a Norte, até ao Minho, terra de romarias, o festival que mais sobressai é o Vodafone Paredes de Coura, que este ano acontece entre 13 e 17 de Agosto. Com cartaz ainda por fechar, o evento que se espraia nas margens do Rio Tabuão, conta já com a presença dos The Kills e Belle & Sebastian. João Carvalho assegura que "o cartaz deste ano é muito melhor, comparativamente com o do ano passado" e que todos os nomes serão coerentes. Boas perspectivas para a economia local, portanto. O ano passado, segundo números avançados pelo autarca da Vila de Paredes de Coura, António Pereira Júnior, nos 15 dias que medeiam o festival, foram levantados 2,5 milhões de euros nas caixas Multibanco.

O distrito de Viana do Castelo acolhe ainda, nos primeiros dias de Agosto, o Neopop, festival de música electrónica. Mais abaixo, Barcelos recebe mais uma edição do Milhões de Festa. Ainda sem nomes no cartaz, Joaquim Durães assegura que o festival continuará com a linha programática dos anos anteriores, apostando em banda locais e nacionais.

A Sul, a capital recebe o Optimus Alive no segundo fim-de-semana de Julho. Este ano, o cartaz conta com já com nomes como Green Day, Depeche Mode, Tame Impala, Django Django, Editors e Alt-J. As vendas, segundo Álvaro Covões, apresentam "o comportamento normal das últimas edições".

A praia do Meco recebe o Super Bock super Rock. Este ano, os Queen of Stone Age, que não vinham a Portugal há alguns anos, assumem-se como cabeças de cartaz do festival, que conta ainda com as presenças fortes de Arctic Monkeys e The Killers. A Herdade da Casa Branca recebe o Meo Sudoeste no segundo fim-de-semana de Agosto.

O Festival de Músicas do Mundo de Sines, Meo Marés Vivas, Sumol Summer Fest, EDP Cool Jazz, Vagos Open Air, Andanças, Refresh, entre muitos outros festivais, constituem as opções para este verão. Com passes gerais que podem ir até aos 125 euros, difícil é escolher e conciliar as várias opções na agenda.

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