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Gonçalo Waddington: "Não vejo que a crise esteja a incentivar na criação"

"Não vejo que a crise esteja a incentivar na criação. Quando muito, vejo um caso ou outro, pontual, em que aproveitam a crise para falar dela ou de alguma questão política", afirma o actor e realizador Gonçalo Waddington.

Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 28 de Março de 2013 às 12:00
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Com essa pergunta, a primeira coisa que me vem à cabeça é a inibição. Não vejo a crise como uma oportunidade. "Se tivesse muito dinheiro neste momento fartava-me de comprar casas e terrenos porque isto está muito barato". Isto é uma perspectiva de negócio. "Investia em arte, porque quando isto melhorar vai valorizar".

Mas isso é uma perspectiva puramente economicista e financeira, da qual sou completamente distante. A minha vida económica e financeira é muito comezinha, tem a a ver com o meu dia-a-dia, as minhas despesas, a minha vidinha.

Em termos de trabalho, não vejo que a crise esteja a incentivar na criação. Quando muito vejo um caso ou outro, pontual, em que aproveitam a crise para falar dela ou de alguma questão política. Mas também vejo muito pouca política na arte. Às vezes a política pode servir como pano de fundo para um objecto artístico, acho isso interessante. Já não acho tão interessante quando se usa a arte para fazer política.

Penso na inibição porque estamos numa fase muito boa. Portugal é posto no mapa quando falas do filme Tabu do Miguel Gomes, quando falas numa peça como Três Dedos Abaixo do Joelho, da companhia Mundo Perfeito, com quem trabalho, que vai estar em Paris, no Teatro de La Ville, e que vai estar num dos festivais mais importantes do mundo, em Bruxelas. Tu és posto no mapa por essas razões.

Ou então és posto no mapa por péssimas razões, por causa desta dívida, por exemplo, que põe em evidência a incompetência dos ministros que nos governam ou um Presidente da República que não tem sentido de "timing". Nunca vi uma pessoa tão incompetente, alguém que tem tanta culpa na crise em que estamos metidos.

A crise vai com certeza ter um efeito devastador nestas áreas porque muitas companhias, estruturas, produtoras e artistas vão perder os apoios, os espaços que acolhem criações também vão perder apoios. Isso irá inibir a qualidade e a quantidade de criação. Disso tenho a certeza absoluta.

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