Weekend Relógios: Carlos Rosillo e a inspiração aeronáutica

Relógios: Carlos Rosillo e a inspiração aeronáutica

O CEO da Bell & Ross quer criar peças utilitárias perfeitamente utilizáveis de forma profissional. “O nosso mote é privilegiar o design funcional.”
Relógios: Carlos Rosillo  e a inspiração aeronáutica
Fernando Sobral 18 de novembro de 2018 às 15:00

Num mundo cheio de horas incertas, sabe bem encontrar um relógio no qual se pode descortinar as horas certas. Mesmo quem prefere correr todos os riscos, de ultrapassar todas as fronteiras e de testar o limite da adrenalina, gosta de sentir a companhia de um guia, que lhe dê o tempo a que se move o mundo normal. Talvez esse tenha sido o primeiro desafio de Carlos Rosillo, quando criou em 1992, com Bruno Belamich, a Bell & Ross, de que hoje é presidente. A atracção pelos ares faz parte do seu ADN e essa alma tem sido mantida ao longo dos anos, como faz questão de explicar Rosillo: "Somos conhecidos pela originalidade, pela singularidade dos nossos produtos e por nos posicionamos no segmento de relógios profissionais e técnicos. O nosso icónico modelo Instrument é um modelo-chave. Quando usamos um BR01 ou um BR03, sentimo-nos como se tivéssemos uma peça do 'cockpit' no pulso, o que faz com que as pessoas sonhem."

A Bell & Ross nasceu no mundo dos relógios históricos e militares. Delimitado o seu território, estará a pensar em novos campos de actuação? O CEO da marca sonha mais alto: "O nosso objectivo é criar peças utilitárias perfeitamente utilizáveis de forma profissional. O nosso mote é privilegiar o design funcional, o que vai ao essencial sem deixar espaço para o supérfluo. E os relógios militares e aeronáuticos são, talvez, os melhores exemplos deste conceito porque têm de dar uma resposta a determinadas questões específicas. Devem responder a certos princípios muito simples. Um relógio militar tem, desde logo, de ser legível à primeira vista; tem de oferecer uma precisão rigorosa, seja mecânico ou de quartzo, tem de ser confiável e extremamente sólido, e a sua funcionabilidade tem de ser perfeita. É reunindo estes quatro critérios que acabamos por criar o ADN da Bell & Ross." E aí o design é fulcral: "Um dos momentos de que me orgulho continua a ser a criação da nossa peça icónica, o BR01. Vem da ideia muito simples de transformar um relógio de um painel de instrumentos do 'cockpit' num relógio de pulso."

Essa ligação ao mundo da aviação é central na marca, como é visível no novo BR Bird. Carlos Rosillo olha para o futuro: "A nossa colecção de 2018 encoraja-nos a estar sempre a 'Watch Beyond'. Conduzidos pela criatividade, pela constante perseguição da performance e da precisão, e voando mais alto do que sempre. Revelamos três grandes temas (pilotos, condutor de automóvel, mergulhador), ao lado de outros modelos singulares e peças excepcionais. Desde o início, o mundo da aeronáutica é uma infinita e principal fonte de inspiração. Este ano, mergulhamos numa nova aventura: a The Aviation Speed Race, com o BR Bird Concept. Um exercício criativo do departamento criativo da marca, que desenhou o BR Bird para estar nesse evento. Simboliza a paixão da B&R pela aviação e pela criatividade. Foi o ponto de partida para a criação de dois relógios de edições limitadas a 999 exemplares cada um: o V1-92 e o V2-94 Racing Bird. Desenhámos também uma complicação que é a demonstração da nossa criatividade e uma ilustração perfeita da nossa ideia de alta relojoaria contemporânea, o BR-X1 Skeleton Tourbillon Sapphire Black." Num mercado em profunda alteração, novos desafios colocam-se à distribuição. Carlos Rosillo está consciente disso: "O luxo está sempre a mudar. O desafio, agora, é continuarmos a ser ousados. E o último exemplo poderia ser o lançamento das nossas peças exclusivamente vendidas online. A Bell & Ross foi sempre uma pioneira no digital e acredito que, sendo um adepto do risco, é a chave do sucesso, mantendo-nos sempre fiéis às técnicas e à manufactura. Foi assim que nos tornámos a referência última dos relógios instrumentais."


Estratégia

Bell & Ross está permanentemente a tentar vislumbrar os sinais do futuro. E para isso desenha uma estratégia, como refere Carlos Rosillo: "A inovação manteve-se sempre como uma linha de força do desenvolvimento da Bell & Ross. Anteriormente, as nossas colecções estavam divididas entre Aviação (relógios quadrados) e Vintage (relógios redondos). Agora desenvolvemos substancialmente a linha de produtos e renomeámos as colecções como Instruments, Vintage e Experimental. O sector Experimental inclui a nossa selecção de esqueletos cronógrafos, o BR-X1, bem como a trilogia Sapphire Turbillon, o nosso desenvolvimento mais excitante deste ano." Apostas fortes para um mercado que está marcado por muitas equações, como as guerras comerciais e a importância crescente dos clientes chineses. O CEO da Bell & Ross refere: "Penso que a indústria relojoeira e os produtos de alto luxo estão sob pressão e a assistir a algumas mudanças. Estamos a testemunhar uma mudança para o 'Back to Basics', com um crescimento de produtos mais tradicionais e modelos menos complicados. Num clima económico global, não muito fácil, os consumidores tenderão a focar-se mais nos relógios confiáveis e mais acessíveis. Mas acho que devemos remar contra a maré e tentar lutar contra este contexto, sendo mais criativos. Foi o que fizemos com o BR-X2 Toubillon Micro-Rotor, a segunda geração da nossa colecção X, trazendo outro capitulo para a nossa saga BR." Para já, em Portugal, tem um parceiro diferente (a Torres Distribuição). Para Rosillo, Portugal ainda é um mercado jovem para a marca e por isso a Bell & Ross precisa de comunicar o seu ADN e a sua história: "Os nossos relógios são bastante diferentes dos que os portugueses costumam utilizar diariamente. A Torres Distribuição é uma referência em Portugal e um grande parceiro com o qual partilhamos este desafio há um ano." 




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