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Vinhos do Douro: Mais um Chryseia & companhia

Aplaude-se a moda de apresentar vinhos do Douro mais frescos elegantes. Aqui ficam três bons exemplos.

Edgardo Pacheco 30 de Julho de 2016 às 13:00
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Não se pode falar em tendência, mas regista-se a presença de três enólogos franceses de categoria no Douro. Hubert de Bouard (Château Angélus) é consultor da Poças Júnior, Jean Claude Berrouet (ex château Petrus) faz o mesmo na Quinta da Boavista e Bruno Brats, antigo proprietário do Château Cos d ´Estournel, é, com Charles Symintgon, autor do afamado Chryseia e companhia. Embora os dois primeiros enólogos sejam consultores e o segundo associado na parceria Prats & Symington, a realidade é que podemos, aos poucos, perceber se os vinhos feitos por enólogos de Bordéus são diferentes dos vinhos dos enólogos portugueses da região.

Se para a Poças e para a Boavista ainda é cedo para tirar conclusões, no caso da parceria Prats & Symington já há tempo para tirar ilações. De 1999 até à data vão 14 colheitas de Chryseia. Donde, se umas agradam mais do que outras (e neste patamar gostar mais dos taninos do 2011 ou da frescura do 2012 pode ser conversa de enochatos), a verdade é que as colheitas recentes mostram vinhos que procuram explorar mais a componente da frescura e da mineralidade do que a extração, os aromas de fruta muito madura e o álcool aos saltos.

É isso uma descoberta dos enólogos franceses ? Claro que não. Claro que há enólogos portugueses no Douro a mudar um certo perfil pesado dos tintos.

Agora, para um enólogo francês o conceito de terroir é coisa séria. Disso ninguém tenha dúvidas. Assim como não poderá haver dúvidas sobre a importância de um nome conceituado de Bordéus no contra rótulo de uma garrafa portuguesa nos mercados externos. É a vida.

Por outro lado, as três marcas que saem da empresa (Chryseia, Post Scriptum e Prazo de Roriz) são uma espécie de work in progress, no sentido em que, de colheita para colheita, se escolhem diferentes percentagens de cada uma das castas elementares para o lote final de cada vinho. No princípio era a Touriga Nacional a ditar as regras, temperada com Touriga Franca e a Tinta Roriz. Com o tempo toda a gente começou a perceber que, sim senhor, a Touriga Nacional é importante, mas com uma boa dose de tempero de outras castas.

De maneira que a crescente presença da Touriga Franca (apelidada pelos ingleses como a back bone dos vinhos do Porto) introduz alguma elegância aromática e longevidade nos vinhos.

É claro que o Chryseia 2014 é um vinho encantador, capaz de seduzir mal o copo chega ao nariz com as notas doces, algo especiadas e, na boca, taninos delicados mas firmes, indicado que daqui por uns poucos anos estará num nível fantástico. Há aqui finura e equilíbrio. E é uma tontice bebê-lo já, a não ser que o objectivo seja fazer boa figura com convidados num jantar em casa.

Quanto ao Post Scriptum 2014, mostrando bem o papel da Touriga Nacional, cativa pelos frutos pretos à mistura com as especiarias, sendo que a frescura nunca deixa de estar presente.

Agora, neste como nos anos anteriores, rendo-me ao Prazo de Roriz. Não sei se é uma certa tendência para estar do lado dos menos protegidos (a educação via Novo Testamento dá nisso), mas a verdade é que este tinto do Douro de 2014, por €9, é fantástico por misturar tudo: fruta com notas vegetais e minerais, com a boca a indicar frescura e funcionalidade à mesa.

Já me aconteceu em jantares institucionais ouvir o tipo que vai pagar a conta pedir-me para escolher um tinto até um valor x (um bocado acima do forreta mas abaixo do disparate de outros os tempos). Quando há Prazo de Roriz na carta o problema resolve-se logo. E já ouvi o cavalheiro que puxa do cartão comentar, no final, que o vinho, sendo bom, não foi nada caro. Maus hábitos, é o que é.



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