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Virgolino Faneca pede fama pindérica à menina Teresa

Virgolino Faneca quer ir para A Quinta da TVI e enumera a Teresa Guilherme as suas qualidades. Por exemplo, percebe de agricultura na óptica do utilizador e está disposto a enxovalhar e a ser enxovalhado.

Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 31 de Outubro de 2015 às 11:00
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Cara menina Teresa

Hesitei muito antes de lhe escrever. Ou melhor, não hesitei, mas acho que esta coisa de dizer que o fiz me valoriza. Pois que é assim menina Teresa Guilherme, quero muito, mas mesmo muito, entrar num dos "reality shows" que apresenta.

Para mim até pode ser já neste, n'A Quinta, visto que possuo conhecimentos profundos sobre a agricultura na óptica do utilizador. Como vegetais, tubérculos, leguminosas e sei distinguir uma lande de uma bolota.

Além disso - e afirmo-o sem sabujice mas como uma dose abundante de graxice -, admiro a sua condução histriónica do programa, o seu risinho alarve e as deixas brejeiras com que confronta os concorrentes. Você é o máximo, num programa onde um tipo é o máximo quando consegue alcançar, através de actos ou palavras, o mínimo dos mínimos.

Passo então a enumerar os méritos da minha candidatura, que recolocará A Quinta na liderança das audiências, destronando aquele programa, o The Voice, onde as pessoas só vão cantar. Brrrr… O que é que isso tem de especial? Cantar, qualquer um é capaz, agora ter a capacidade de cair no ridículo e sujeitar-se a todo o tipo de vexames não está ao alcance de qualquer um, apenas de pessoas eleitas, entre as quais me incluo.

Portanto, estou disposto a perder toda a minha dignidade, a abdicar de qualquer princípio ético e moral que obstaculize ao sucesso do programe e, por inerência, ao êxito da menina Teresa. Estou também disposto a enxovalhar e a ser enxovalhado e a revelar todos os podres da minha vida para gáudio da assistência. E se os que tiver forem insuficientes, invento uns quantos para potenciar a natureza escatológica do programa. Estou igualmente disposto a envolver-me em cenas sexualmente ousadas, desde que não envolvam animais, porque não quero ofender os senhores do Partido Pessoas-Animais-Natureza.

Tenho a consciência perfeita que o segredo do sucesso passa por abastardar o mais possível o programa e eu empenhar-me-ei a nesse fito com o máximo zelo.

Chegada aqui, a menina Teresa estará certamente com um pé atrás. Afinal, quando a esmola é grande, o pobre desconfia. E perguntar-se-á: este Faneca está disposto a dar tudo e não quer nada em troca?

Claro que quero. Quero a fama pindérica que A Quinta me proporcionará e as regalias inerentes. Por exemplo, vou poder começar a cobrar presenças em discotecas e afins só porque apareci na televisão. Como apareci na televisão, sou famoso e como sou famoso apareço na televisão. Como sou de uma família de peixeiros, sei muito bem o que é uma pescadinha de rabo na boca. Quero chegar ao café do Antero e ser recebido com uma palmada nas costas, ai grande Virgolino, tu é que a sabes toda, mesmo que entredentes digam que eu sou um troglodita. Quero andar de táxi e ter o motorista a perguntar-me: oh Virgolino, conte-me lá, você chegou mesmo a vias de facto com a Merche ou foi só no faz-de-conta. Quero aparecer nas revistas cor-de-rosa a contar como traí a minha segunda mulher, sendo que nunca tive uma primeira, a dizer que estou apaixonado pela Romana, embora prefira o estilo gótico, a afirmar que o meu sonho é ser arquitecto ou que apoio a candidatura presidencial do Tino de Rans, um homem do povo como eu, que se tornou uma celebridade porque sim.

É verdade que já me disseram que o tipo de fama é oca e vai-se embora num instante. E que depois me assemelharei a um toxicodependente, a ressacar, à espera da próxima dose que nunca chegará. Eu quero lá saber disso! Quero ser famoso e acaba aqui a conversa, porque já não suporto ter que pagar o consumo obrigatório numa discoteca. Diga-me lá, menina Teresa, se este não é um motivo suficiente estéril, diria até, mentecapto, para me aceitar em A Quinta.

Pressinto que a convenci, menina Teresa. E nem precisa de pedir à produção do programa para me telefonar porque já vou a caminho.

Um beijinho repenicado deste seu

Virgolino Faneca


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Quem é Virgolino Faneca

Virgolino Faneca é filho de peixeiro (Faneca é alcunha e não apelido) e de uma mulher apaixonada pelos segredos da semiótica textual. Tem 48 anos e é licenciado em Filologia pela Universidade de Paris, pequena localidade no Texas, onde Wim Wenders filmou. É um "vasco pulidiano" assumido e baseia as suas análises no azedo sofisma: se é bom, não existe ou nunca deveria ter existido. Dele disse, embora sem o ler, Pacheco Pereira: "É dotado de um pensamento estruturante e uma só opinião sua vale mais do que a obra completa de Nuno Rogeiro". É presença constante nos "Prós e Contras" da RTP1. Fica na última fila para lhe ser mais fácil ir à rua fumar e meditar. Sobre o quê? Boa pergunta, a que nem o próprio sabe responder. Só sabe que os seus escritos vão mudar a política em Portugal. Provavelmente para o rés-do-chão esquerdo, onde vive a menina Clotilde, a sua grande paixão. O seu propósito é informar epistolarmente familiares, amigos, emigrantes, imigrantes, desconhecidos e extraterrestres, do que se passa em Portugal e no mundo. Coisa pouca, portanto.

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