Weekend Vitória da Selecção: Investir no feito

Vitória da Selecção: Investir no feito

A vitória de Portugal no Euro 2016 irá despertar de novo o interesse em alguns dos objectos desportivos que os jogadores utilizaram no campeonato. O problema, para o investidor, é que o nosso mercado é amador.
Vitória da Selecção: Investir no feito
John Sibley/Reuters
José Vegar 16 de julho de 2016 às 10:15
Após o glorioso e histórico triunfo da abnegada selecção nacional no Europeu, não haverá certamente um português que não queira ter um objecto relacionado com a vitória e com a equipa, um símbolo que permita a eternidade do momento. O desejo dos "11 milhões" é igual ao de muitos outros no passado, criando, há pelo menos umas décadas, um dos temas de nicho com grande procura no mercado dos bens culturais, exactamente o dos objectos relacionados com a glória desportiva.

O nicho está sempre em grande animação no mercado norte-americano, especialmente no campo do basebol, dada a quantidade e a beleza dos objectos que envolve, das luvas aos tacos, passando pelos "jerseys", mas também na América Latina, com o futebol, ou nos países com forte tradição de rugby, como é o caso da Nova Zelândia ou da África do Sul. No continente europeu, manda o futebol, mas há também forte procura no atletismo, no ténis, ou no automobilismo.

Qualquer que seja o desporto, a procura ataca sempre em dois campos de objectos, aqueles que são únicos em relação ao feito, neste caso a campanha portuguesa no Europeu, e os outros que necessariamente estão ligados ao acontecimento. No caso específico do percurso da selecção portuguesa no Europeu de Futebol de 2016, o objecto mais procurado é, claro, a célebre carta de Fernando Santos, escrita a 18 de Junho, onde este revela os seus sentimentos, agradecendo a Deus e mostrando que tem fé na vitória de Portugal. Outros objectos com a mesma tipologia, como blocos de notas com esquemas tácticos ou apontamentos semelhantes, ou a braçadeira de capitão que Cristiano Ronaldo atirou ao chão quando aceitou a lesão, no jogo da final, terão também um enorme valor. Na segunda categoria, estão os objectos clássicos. Os mais valorosos são a camisola e as chuteiras de Éder, porque foi este a marcar o golo decisivo. A partir daqui contam os objectos desportivos dos jogadores mais famosos e, assim sendo, a cadeia de valor atinge o máximo com Ronaldo.

Mais uma vez, para o mercado, o que interessa são a camisola e as chuteiras do capitão. Seguir-se-ão os objectos de estrelas como Nani, Renato Sanches ou Quaresma, não esquecendo, obviamente, as luvas utilizadas por Rui Patrício na final, dada a sua grande exibição. Todos os bens atingirão maior cotação nos mercados europeus, e não no nacional, devido ao facto de que o nosso mercado neste sector ser ainda muito amador.

A dificuldade de obter  Não será fácil obter objectos da selecção nacional de 2016. Antes de tudo o mais, como foi referido, o mercado é amador, não existindo "dealers" especializados. Depois, toda a equipa técnica e todos os jogadores têm um grande envolvimento emocional com os seus objectos, e a tradição é que os guardem, os ofereçam a familiares ou amigos, ou que os doem a instituições especiais. O Estado procurará também obter alguns dos objectos, através do Museu do Desporto. A melhor hipótese para um investidor é criar e explorar os canais informais, isto é, uma ligação com os jogadores, ou os elementos técnicos. 

*Nota ao leitor: Os bens culturais, também classificados como bens de paixão, deixaram de ser um investimento de elite, e a designação inclui hoje uma panóplia gigantesca de temas, que vão dos mais tradicionais, como a arte ou os automóveis clássicos, a outros totalmente contemporâneos, como são os têxteis, o mobiliário de design ou a moda. Ao mesmo tempo, os bens culturais são activos acessíveis e disputados em mercados globais extremamente competitivos. Semanalmente, o Negócios irá revelar algumas das histórias fascinantes relacionadas com estes mercados, partilhando assim, de forma independente, a informação mais preciosa.  




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